Ex-ministra da Cultura, natural de Braga, alega falta de “condições de confiança e solidariedade institucional”.
A presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, Isabel Pires de Lima, apresentou esta terça-feira a sua demissão do cargo, invocando a inexistência de condições de confiança e solidariedade necessárias ao pleno exercício das funções.
Num comunicado assinado pela própria e divulgado à imprensa, a antiga ministra da Cultura explicou que a decisão foi tomada “após profunda reflexão”, considerando não estarem reunidos, no seio do atual conselho de administração, os pressupostos indispensáveis ao funcionamento saudável da instituição.
“Decorrido mais de meio ano de atividade, tomo esta decisão por entender que não estão reunidas (…) condições de confiança e solidariedade institucional que me permitam exercer o cargo em plenitude”, afirmou. A renúncia tem efeitos imediatos, de forma a “evitar prolongar uma situação desconfortável para todos, mas sobretudo prejudicial ao saudável funcionamento da Fundação”.
No mesmo texto, Isabel Pires de Lima sublinhou que Serralves, enquanto espaço de produção artística, deve ser permanentemente um lugar de questionamento e de desconforto criativo: “Se não incomodar, desestabilizar e interrogar, será apenas um lugar de [pessoas] demasiado contentes consigo próprias, naquela felicidade potencialmente castradora que o sucesso traz”.
A professora emérita da Faculdade de Letras da Universidade do Porto manifestou ainda gratidão às equipas de Serralves pelo “elevado profissionalismo e dedicação”, destacando o papel dos fundadores e colaboradores que ajudaram a consolidar o prestígio da instituição.
Antes de assumir a presidência em finais de 2024, Isabel Pires de Lima já integrava a administração como vice-presidente desde 2015, em representação do Estado. O atual conselho de administração é composto por Fernando Cunha Guedes, Luís Silva Santos e Paula Paz Ferreira (vice-presidentes), e ainda Manuel Sobrinho Simões, Tomás Jervell, Armando Cabral, Maria do Carmo Oliveira e Luís Menezes (vogais).
A Fundação de Serralves tem tido, desde a sua criação, diferentes lideranças. João Marques Pinto foi o primeiro presidente (1989-2000), seguido por Teresa Patrício Gouveia (2001-2003), António Gomes de Pinho (2003-2009), Luís Braga da Cruz (2010-2015) e Ana Pinho (2016-2024), cujo mandato ficou marcado pela alteração estatutária que permitiu três mandatos consecutivos.



































