
Encerramentos noturnos repetiram-se em agosto; utentes queixam-se de longas horas de espera.
O Hospital de Santo Tirso voltou a encerrar o serviço de urgência em várias noites durante o mês de agosto, devido à deslocação de médicos para o Hospital de Famalicão e à dificuldade em completar as escalas. A situação, recorrente há cerca de dois anos, reacende o debate político a poucas semanas das eleições.
Em alguns dias, a escala médica estava assegurada, mas a transferência de profissionais acabou por ditar o fecho inesperado do serviço em Santo Tirso, que noutras ocasiões chegou a funcionar apenas com um médico. Houve até situações em que o CODU encaminhou doentes para Santo Tirso, acabando estes por ser novamente reencaminhados para outra unidade devido ao encerramento imprevisto.
Em resposta, a Unidade Local de Saúde do Médio Ave (ULSMA), que gere ambos os hospitais, confirmou “o encerramento do Serviço de Urgência Básico da Unidade Hospitalar de Santo Tirso em algumas noites”, sempre em horário noturno. A administração justificou as falhas com “dificuldades inesperadas para o preenchimento das escalas médicas, sobretudo num período de férias”, alegando ainda que o quadro clínico tem vindo a ser reforçado e que a situação “já se encontra normalizada”.
No entanto, persistem sinais de sobrecarga em Famalicão. Magda Mendes, utente do hospital, contou que o marido, triado com pulseira amarela, esteve 13 horas à espera de atendimento sem sucesso. “Diziam apenas que havia poucos médicos no serviço. Nunca tinha visto uma situação destas em 50 anos de vida”, relatou, explicando que formalizou a queixa no livro amarelo antes de abandonar a urgência.
Segundo fontes ouvidas pelo Jornal do Ave, a instabilidade poderá estar ligada à saída de profissionais por incompatibilidades com a chefia, embora a administração não tenha confirmado quantos médicos terão deixado de trabalhar na ULS.































