Requalificação do Pópulo chumbada em Braga: oposição exige mais transparência

Primeira reunião de câmara de João Rodrigues marcada por críticas, confusão sobre o projeto e risco de perder 2,6 milhões de euros em fundos comunitários

A empreitada de requalificação do espaço público do Pópulo e vias envolventes, em Braga, foi chumbada esta segunda-feira na primeira reunião do executivo municipal liderado por João Rodrigues, revelando fragilidades na governação resultante das eleições autárquicas de 12 de outubro.

A proposta, que envolve mais de 2,6 milhões de euros em fundos comunitários, foi aprovada apenas pela coligação Juntos por Braga (3 votos). Os vereadores do PS/PAN (3) e do Chega (1) abstiveram-se, enquanto o movimento Amar e Servir Braga (3) e a Iniciativa Liberal (1) votaram contra, inviabilizando a aprovação.

O vereador Ricardo Silva, do movimento Amar e Servir Braga, foi particularmente crítico, acusando o executivo de falta de clareza e de misturar empreitadas. “Estamos a aprovar duas ruas e uma praça, mas somos surpreendidos com referências à fachada do Pópulo e a obras já realizadas”, afirmou, exigindo informação completa e coerente.

Também Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, votou contra, mas admitiu mudar o sentido de voto numa próxima reunião, caso o executivo apresente o ponto com maior clareza. “Foi uma decisão defensiva. Se a proposta for devidamente esclarecida, poderá ser viabilizada”, disse.

O presidente da Câmara, João Rodrigues, reagiu com firmeza às críticas, acusando os vereadores de não se terem preparado adequadamente. “Estamos a falar de um projeto superior a 2,6 milhões de euros. A informação estava toda no processo. Se não leram, têm de reconhecer que erraram”, afirmou, alertando para o risco de perder financiamento europeu.

A reunião ficou ainda marcada por contradições no voto do vereador do Chega, Filipe Aguiar, que inicialmente indicou abstenção, mas mais tarde afirmou ter votado contra, alegando falta de informação.

Do lado do PS/PAN, o vereador Pedro Sousa apelou a uma melhor instrução dos processos, sublinhando que “não é do interesse de ninguém perder fundos para projetos relevantes”.

Este episódio evidencia tensões crescentes entre o executivo e a oposição, afastando a possibilidade de entendimento com o movimento Amar e Servir Braga, que poderia vir a integrar pelouros. As reuniões negociais para a composição final do executivo deverão concluir-se até ao final da semana, segundo João Rodrigues.