O Hospital de Braga retomou na segunda-feira o nível II do Plano de Contingência de inverno, após ter estado uma semana no nível máximo (nível III), devido à pressão causada pelos casos de gripe nos serviços de urgência.
Em conferência de imprensa realizada esta terça-feira, Américo Afonso, presidente do Conselho de Administração do Hospital, assegurou que a situação “esteve sempre controlada” e que todos os profissionais têm acesso à documentação relativa aos planos de contingência através dos canais internos da instituição.
“Ninguém ficou sem resposta, mesmo em contexto de elevada exigência”, disse Américo Afonso, garantindo que o plano é “vivo, aplicado todos os dias e ajustado à realidade”. Reconheceu apenas que “nos cuidados de saúde primários, eventualmente poderá haver lacunas”, mas que estas estão a ser tratadas.
Críticas do SMN e da Comissão de Utentes
O ponto de imprensa surge no seguimento de um protesto organizado pela Comissão de Utentes da ULS de Braga, que contou com a participação do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN). A presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, afirmou que muitos profissionais desconheciam o plano de contingência, queixando-se da sobrecarga das equipas médicas e da falta de neurorradiologistas durante os fins de semana. Segundo o sindicato, esta situação obriga a transferências para hospitais do Porto em casos graves, à suspensão do funcionamento do PET/CT há mais de dois meses e ao envio de biópsias para serviços privados.
Américo Afonso respondeu que, na prática, “a maior parte das circunstâncias consegue resposta” e que os exames de biópsia continuam a ser analisados no hospital. Sobre o PET/CT, explicou que o equipamento está inativo desde 31 de outubro, mas que foram ativados mecanismos alternativos para garantir que todos os pacientes fossem atendidos com segurança. A peça necessária para reparação foi já fornecida pela Fundação Champalimaud, estando o hospital a preparar a aquisição de um novo equipamento.
PPP e hospital universitário
O protesto também teve como foco a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a oposição à gestão por Parceria Público-Privada (PPP), que o governo de Luís Montenegro pretende retomar. A Comissão de Utentes defende que o Hospital de Braga possui condições para se tornar um centro hospitalar universitário, o que traria melhores serviços, mais investigação e a fixação de especialistas na região.
Américo Afonso questionou ainda a legalidade da comissão, afirmando que “todos os representantes dos utentes e profissionais são bem-vindos”, mas reiterou que o hospital tem respondido de forma eficaz à elevada procura e aos desafios do inverno.
































