Equipa da Liga 3 venceu por 2-1 e confirma estatuto de ‘tomba-gigantes’, deixando os bracarenses fora da prova rainha
O Fafe apurou-se este domingo para as meias-finais da Taça de Portugal de futebol, pela terceira vez na sua história, ao vencer o SC Braga por 2-1, em encontro dos quartos de final disputado no seu terreno. A formação fafense voltou a assumir o papel de ‘tomba-gigantes’, sendo mais objetiva e perigosa frente a um adversário da I Liga.
Depois de já ter afastado Moreirense (1-0), na terceira eliminatória, e Arouca (2-1), na ronda seguinte, o quarto classificado da Série A da Liga 3 voltou a surpreender, desta feita diante do quinto classificado da I Liga. João Santos inaugurou o marcador aos 42 minutos e Carlos Daniel ampliou a vantagem aos 70, antes de Dorgeles reduzir já nos descontos, aos 90+5.
Com este triunfo, o Fafe regressa às meias-finais da ‘prova rainha’, fase que disputou anteriormente em 1976/77, quando foi eliminado pelo FC Porto, e em 1978/79, afastado pelo Sporting após prolongamento. Para o SC Braga, a eliminação representa mais um duro revés, poucos dias depois da derrota na final da Taça da Liga frente ao Vitória SC.
Os bracarenses apresentaram-se em Fafe num esquema 4-2-3-1, com várias alterações em relação à final da Taça da Liga, e até criaram o primeiro lance de perigo, num remate de Ricardo Horta defendido de forma incompleta por João Gonçalo. No entanto, foi o Fafe quem demonstrou maior eficácia, equilibrando o jogo com um meio-campo rigoroso e explorando bem o flanco esquerdo, através do dinamismo de Vigário e Carlos Daniel.
Apesar de ter menos posse de bola na primeira parte, a equipa da casa criou as melhores oportunidades, aproximando-se do golo em várias ocasiões até conseguir adiantar-se no marcador, numa jogada individual de Vigário que isolou João Santos para um remate cruzado e certeiro.
Na segunda parte, o SC Braga tentou reagir, sobretudo após as alterações promovidas por Carlos Vicens, mas o Fafe manteve-se organizado e ameaçador. Depois de um momento de polémica, com uma grande penalidade inicialmente assinalada e depois revertida após intervenção do VAR, os fafenses acabaram por sentenciar a partida num contra-ataque rápido e eficaz, finalizado por Carlos Daniel.
Já nos instantes finais, Dorgeles ainda reduziu para os ‘arsenalistas’, mas o golo não evitou a festa dos adeptos fafenses, que celebraram de forma efusiva uma das mais marcantes vitórias da história recente do clube.
Mário Ferreira, treinador do Fafe, em declarações na sala de imprensa do Parque Municipal de Fafe, após o triunfo frente ao SC Braga nos quartos de final da Taça de Portugal.
Mário Ferreira: «O ambiente vivido em Fafe não foi de Liga 3» Treinador do Fafe elogiou entrega dos jogadores e apoio dos adeptos após a vitória frente ao SC Braga nos quartos de final da Taça de Portugal
Mário Ferreira, treinador do Fafe, destacou o ambiente vivido no Parque Municipal de Fafe e a competência exibida pela sua equipa na vitória frente ao SC Braga, por 2-1, nos quartos de final da Taça de Portugal. Em declarações na sala de imprensa, o técnico sublinhou que o contexto vivido foi digno de campeonatos profissionais e não de um clube da Liga 3.
Na análise ao encontro, o treinador fafense considerou que a sua equipa cumpriu com rigor o plano definido. “Fizemos um jogo competente. Na parte final, a faltar dez ou quinze minutos, sofrendo um golo podíamos estar sujeitos, sendo uma equipa da Liga com qualidade, a sofrer. O foco esteve sempre no plano estratégico. Levámos o jogo de uma forma equilibrada”, afirmou.
Sobre o plano de jogo, Mário Ferreira mostrou-se plenamente satisfeito com a resposta dos jogadores. “Era este o caminho que tínhamos desenhado. O trabalho feito nos treinos foi extraordinário por parte dos jogadores. O plano estratégico foi cumprido na íntegra, os jogadores foram fantásticos. Estivemos muito bem nos primeiros minutos do jogo, sabíamos que o Braga queria dar uma resposta ao último jogo da Taça da Liga. Estivemos bem na organização com bola, criámos dificuldades ao Braga e fizemos dois golos”, salientou.
O treinador fez ainda questão de enaltecer o ambiente vivido no estádio. “Acima de tudo, é de realçar o ambiente que se viveu aqui, com as bancadas pintadas de amarelo e preto. Algo histórico e único. É uma cidade que vive muito o futebol e merece este prémio. O que se viveu aqui hoje não é de um clube de Liga 3. Este ambiente é de ligas profissionais”, sublinhou.
Questionado sobre o próximo sorteio da Taça de Portugal, Mário Ferreira mostrou-se indiferente ao adversário. “Preferimos qualquer adversário. Não há nenhum em mente. Quando saiu a eliminatória com o Lusitano de Évora queríamos jogar em casa, mas tivemos uma deslocação difícil, com muitos adeptos nossos em Évora. Que a próxima eliminatória seja vivida da mesma forma que esta, com responsabilidade, desfrutando e focados no plano de jogo”, concluiu.
João Santos: «Um dos golos mais especiais da minha carreira»
Avançado do Fafe destacou noite histórica após marcar frente ao SC Braga e garantir a passagem às meias-finais da Taça de Portugal
João Santos, avançado do Fafe, mostrou-se emocionado após a vitória histórica frente ao SC Braga (2-1), nos quartos de final da Taça de Portugal, encontro em que foi um dos protagonistas ao apontar o primeiro golo da formação fafense. Em declarações na sala de imprensa do Parque Municipal dos Desportos de Fafe, o jogador sublinhou o carácter especial do triunfo e do golo apontado.
“É um sentimento especial. Sabíamos que íamos ter algumas oportunidades em contra-ataque e que teríamos de as aproveitar. Antes do golo ainda falhámos uma ou duas oportunidades que deveríamos ter concretizado, mas esta vitória é um sentimento muito especial”, afirmou.
O avançado destacou ainda a força do Fafe a jogar em casa, depois de mais um primodivisionário eliminado no seu terreno. “Aqui em casa fazemos com que seja difícil ganhar ao Fafe. Tornámos isto numa fortaleza, muito por culpa do apoio dos nossos adeptos”, referiu.
Questionado sobre a importância do golo frente a um adversário da I Liga, João Santos não escondeu a emoção. “É certamente um dos golos mais especiais da minha carreira, contra uma equipa da Liga e a carimbar a passagem a uma meia-final. Hoje fizemos história, é especial”, frisou.
Sobre o próximo adversário na Taça de Portugal, o jogador mostrou-se indiferente ao sorteio. “É uma pergunta difícil. Jogar contra um grande é sempre marcante na carreira de um jogador, mas não temos preferência. Queremos desfrutar e vamos tentar fazer isso na meia-final”, concluiu.
Ficha de jogo
Jogo no Parque Municipal dos Desportos, em Fafe.
Fafe – SC Braga, 2-1.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores:
1-0, João Santos, 42 minutos.
2-0, Carlos Daniel, 70.
2-1, Dorgeles, 90+5.
Equipas
– Fafe: João Gonçalo, Diogo Castro, João Batista, Leandro Teixeira, João Vigário (Breno Pais, 82), Filipe Cardoso, Vasco Braga (Gonçalo Pinto, 82), João Oliveira (Zé Oliveira, 73), Théo Fonseca (Picas, 63), Carlos Daniel e João Santos (Ká Semedo, 73).
(Suplentes: Tiago Martins, Breno Pais, Zé Oliveira, Gonçalo Pinto, Davis Silva, João Amorim, Tomás Teixeira, Picas e Ká Semedo).
Treinador: Mário Ferreira.
– SC Braga: Tiago Sá, Victor Gómez, Paulo Oliveira (Niakaté, 46), Arrey-Mbi, Lelo (Gabri Martínez, 46), Grillitsch (Diego, 77), Gorby (Pau Víctor, 46), Dorgeles, Moscardo (João Moutinho, 66), Ricardo Horta e Fran Navarro.
(Suplentes: João Carvalho, Niakaté, Lagerbielke, Vítor Carvalho, João Moutinho, Diego, Gabri Martínez, Pau Víctor e Samy Merheg).
Treinador: Carlos Vicens.
Árbitro: Bruno Costa (Associação de Futebol de Viana do Castelo).
Ação disciplinar: cartão amarelo para João Oliveira (50) e Niakaté (75).
Assistência: 3.045 espetadores.
































