Autoridades afastam crime e apontam para suicídio na morte de administrador do BCI
O administrador português do Banco Comercial de Investimento (BCI) em Moçambique, Pedro Ferraz Reis, foi encontrado morto na noite de segunda-feira nas casas de banho do Hotel Polana Serena, um histórico hotel de cinco estrelas situado em Maputo. Tinha 52 anos e residia no país africano há cerca de uma década.
Numa fase inicial, as autoridades moçambicanas admitiram a possibilidade de se tratar de um homicídio, uma vez que o corpo apresentava ferimentos provocados por uma arma branca. No entanto, numa conferência de imprensa realizada esta terça-feira, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERINC), Hilário Lole, afastou a hipótese de crime, garantindo que “não há dúvidas de que se trata de um caso de suicídio”, segundo declarações citadas pela imprensa local.
Pedro Ferraz Reis era administrador do BCI, instituição bancária controlada pela Caixa Geral de Depósitos e pelo BPI, e desempenhava funções como vogal executivo e membro do Conselho de Administração, participando na definição da estratégia e na supervisão institucional do banco. Ao longo do seu percurso profissional destacou-se pelo elevado sentido de responsabilidade e pelo contributo para o reforço da governação e da solidez da instituição, sublinhou o BCI numa nota de pesar.
Natural do Porto, licenciou-se em Business Administration e concluiu um mestrado em Finance pela Universidade Católica Portuguesa, tendo ainda frequentado um programa de gestão na Harvard Business School. Iniciou a carreira no Banco de Fomento Exterior e passou pelo BPI antes de ser destacado para Moçambique, onde viveu desde 2013. Desde 2023 integrava também o Conselho da Diáspora Portuguesa, pelo seu envolvimento com a comunidade portuguesa no estrangeiro.
Pedro Ferraz Reis deixa mulher e duas filhas menores. A morte do banqueiro causou forte consternação junto da comunidade portuguesa em Moçambique e no setor financeiro, com várias entidades a manifestarem publicamente pesar pelo desaparecimento de uma figura considerada consensual e respeitada no meio profissional.



































