Carneiro remete para Montenegro resposta ao “reparo” presidencial sobre Lei da Nacionalidade

José Luís Carneiro

Secretário-geral do PS esteve em Vila Verde e recusou comentar críticas deixadas por António José Seguro à revisão da legislação

O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, afirmou esta segunda-feira, em Vila Verde, que cabe ao primeiro-ministro responder às observações feitas pelo Presidente da República na promulgação das alterações à Lei da Nacionalidade.

Durante uma visita à Escola Industrial da DST, o líder socialista recusou aprofundar comentários sobre o tema, remetendo diretamente a responsabilidade política para o chefe do Governo.

“Quem tem de responder a esse assunto é o primeiro-ministro”, declarou.

Seguro promulgou diploma, mas deixou críticas

O Presidente da República, António José Seguro, promulgou no domingo o decreto que altera a Lei da Nacionalidade, mas acompanhou a decisão com reservas políticas expressas.

Na nota publicada no portal oficial da Presidência, Seguro sublinhou que teria preferido uma solução assente “num maior consenso” e sem aquilo que classificou como “marcas ideológicas do momento”.

A posição presidencial foi interpretada como um reparo político ao processo legislativo conduzido pela maioria parlamentar.

Carneiro aponta diretamente ao Governo

Questionado pelos jornalistas sobre a crítica presidencial, José Luís Carneiro optou por não desenvolver a posição do PS sobre o conteúdo da promulgação.

O dirigente socialista insistiu que a resposta deve ser dada por Luís Montenegro, considerando que o reparo foi dirigido ao executivo.

A declaração surge num contexto de forte divergência política em torno da revisão legislativa, que contou com o voto contra dos socialistas.

O que muda na Lei da Nacionalidade

A nova legislação introduz alterações relevantes ao regime de atribuição da nacionalidade portuguesa.

Entre as principais mudanças estão:

Aumento dos prazos de residência legal exigidos para aquisição da nacionalidade portuguesa

Restrições acrescidas à atribuição automática a pessoas nascidas em território nacional

Revisão de critérios legais aplicáveis a estrangeiros residentes

Segundo a Presidência, a decisão de promulgação assentou no entendimento de que as novas regras não comprometem direitos fundamentais, nomeadamente o acesso à saúde e à educação por parte de menores filhos de imigrantes nascidos em Portugal.

Presidente pede atenção especial às crianças

Na mensagem que acompanhou a promulgação, António José Seguro sublinhou que futuras alterações legislativas devem assegurar proteção reforçada às crianças e menores.

O chefe de Estado defendeu que qualquer evolução futura nesta matéria deverá continuar a privilegiar políticas de integração.

Diploma teve percurso legislativo conturbado

A revisão da Lei da Nacionalidade foi aprovada no parlamento com os votos favoráveis de:

  • PSD
  • Chega
  • Iniciativa Liberal
  • CDS-PP

Votaram contra:

  • Partido Socialista
  • Livre
  • PCP
  • Bloco de Esquerda
  • PAN

O diploma regressou ao parlamento após o Tribunal Constitucional ter identificado inconstitucionalidades na versão inicial.

Outra alteração continua sob análise

Paralelamente, continua pendente a apreciação do Tribunal Constitucional sobre o diploma que prevê a perda de nacionalidade como pena acessória.

Esse decreto foi novamente enviado para fiscalização preventiva após iniciativa do PS, mantendo aberta uma nova frente jurídica e política sobre o tema.

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