Abstenção em bloco permite aprovação do primeiro orçamento da era João Rodrigues, apesar das críticas à execução e à ambição do plano
A oposição em bloco na Câmara Municipal de Braga — Partido Socialista (PS), Movimento Amar e Servir Braga (ASB), Iniciativa Liberal (IL) e Chega — optou pela abstenção na reunião extraordinária realizada esta segunda-feira, permitindo a aprovação do Orçamento Municipal para 2026, no valor recorde de 285,8 milhões de euros.
O documento, que marca o primeiro plano financeiro do executivo liderado por João Rodrigues, foi aprovado com os votos favoráveis da coligação PSD/CDS-PP e da vereadora independente Catarina Miranda, seguindo agora para apreciação e votação final na Assembleia Municipal de Braga.
Apesar da viabilização do orçamento, a oposição deixou críticas à execução do plano e àquilo que considera ser uma falta de ambição em áreas estruturantes do concelho, sublinhando, ainda assim, que a abstenção representa um “ónus de confiança” concedido ao novo ciclo político, acompanhado de uma vigilância apertada à concretização das obras e medidas anunciadas.
Críticas ao “desinvestimento” e divergência nos números
O vereador do Movimento Amar e Servir Braga, Ricardo Silva, justificou a abstenção como um gesto de abertura para permitir ao novo executivo implementar as suas opções, mas alertou para o que considera ser um plano pouco enraizado nas necessidades do concelho. O autarca apontou também divergências quanto à incorporação das propostas da oposição, referindo que, enquanto o executivo fala em 71%, os cálculos do movimento indicam apenas 46%, denunciando ainda um alegado “desinvestimento” em áreas como a cultura, a ação social e o ambiente.
Pela bancada do Partido Socialista, Pedro Sousa classificou o documento como “vago e abrangente”, justificando a opção por uma “abstenção construtiva” como forma de manter uma postura exigente e responsável perante o novo executivo.
Já pela Iniciativa Liberal, Rui Rocha explicou que o partido apresentou poucas propostas por considerar que a definição da orientação política compete a quem governa, confessando, no entanto, dificuldades em perceber se as medidas sugeridas estão efetivamente refletidas no plano. O vereador do Chega, Filipe Aguiar, lamentou igualmente que as propostas do partido não tenham sido traduzidas de forma concreta no documento final.
João Rodrigues rejeita críticas
Em resposta às críticas da oposição, o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, reagiu com firmeza, rejeitando as acusações de falta de ambição e classificando-as como “narrativas paralelas”.
“Dizer que há falta de ambição num orçamento que é o maior de sempre… estamos num mundo de narrativas paralelas que não têm qualquer respaldo na realidade”, afirmou o autarca, recordando que o executivo se encontra em funções há menos de três meses.
João Rodrigues sublinhou ainda que o orçamento respeita os compromissos eleitorais assumidos junto dos bracarenses e que a prioridade do executivo passa agora pela execução eficaz das medidas previstas.
































