Luís Pinto quebra silêncio e aponta à saída do Vitória: “No momento em que mais precisei, fiquei sozinho”

Luis Pinto

Técnico revisita passagem por Guimarães, fala de “grande injustiça” e garante que a equipa estava a caminho de uma época histórica

Luís Pinto falou pela primeira vez após a saída do Vitória SC e não escondeu a desilusão com a forma como terminou a ligação ao clube vimaranense.

Numa entrevista ao Zerozero, o treinador de 37 anos revisitou a sua passagem por Guimarães, recordou a conquista da Taça da Liga e assumiu ter sentido uma profunda injustiça com o despedimento, sublinhando a falta de apoio interno num momento particularmente delicado.

“Mágoa não existe, mas foi uma injustiça enorme”

Sem esconder a frustração, Luís Pinto considera que a sua saída aconteceu numa fase em que a equipa estava perto de alcançar um registo histórico.

“Mágoa não existe, mas senti que foi uma injustiça enorme. Faltavam-nos apenas nove pontos para fazermos a melhor época de sempre do Vitória Sport Clube”, afirmou.

O técnico explicou que a avaliação da época não pode ser reduzida apenas à classificação no campeonato.

Segundo defendeu, o contexto competitivo e a conquista da Taça da Liga colocavam a temporada entre as melhores da história recente do clube.

“Quando se fala da melhor época de sempre, isso não pode ser analisado apenas pela pontuação na Liga. O Vitória tinha dois troféus e esta época conquistou mais um. Já tínhamos sido superiores noutras dimensões competitivas”, sustentou.

“Apoiei sempre o projeto, mas não tive suporte”

Um dos momentos mais fortes da entrevista surgiu quando Luís Pinto abordou a relação com a estrutura diretiva do clube.

O treinador lamentou a ausência de apoio interno quando começaram a surgir dificuldades, assumindo que esse foi um dos aspetos que mais o marcaram.

“Sempre defendi o projeto e, no momento de maior fragilidade da minha parte, não senti suporte nenhum. Ficou um grande sentimento de injustiça.”

Apesar disso, garantiu que nunca colocou em causa as opções estratégicas do clube, mesmo perante uma profunda reformulação do plantel.

Arranque marcado por incerteza

Luís Pinto recordou que a preparação da época foi condicionada por inúmeras saídas de jogadores influentes, o que obrigou a uma reestruturação quase total.

Entre os nomes referidos estão Tiago Silva, Tomás Handel, Toni Borevkovic, Nuno Santos e Bruno Gaspar.

“Cheguei a dizer no balneário que íamos lutar pelos três primeiros para criar ambição. Mas nessa altura ainda contávamos com um núcleo duro que acabou por sair. Tivemos de reestruturar tudo.”

Ainda assim, sublinhou que nunca sentiu resistência da direção em relação ao seu trabalho.

“Nunca senti que estivesse a ser contestado internamente quanto àquilo que estávamos a construir.”

Valorização dos jovens como legado

O técnico fez questão de destacar o crescimento de vários jovens lançados durante a temporada, considerando esse um dos grandes legados da sua passagem por Guimarães.

Segundo Luís Pinto, o Vitória foi um dos plantéis que mais valorizou jogadores no futebol português esta época.

Referiu, em particular, os casos de Diogo Sousa, Beni Mukendi e Gonçalo Nogueira.

“Vão fazer carreira em patamares mais elevados porque têm qualidade e mentalidade para isso.”

Futuro em aberto, mas com prioridade clara

Questionado sobre o próximo passo na carreira, Luís Pinto revelou já ter recebido contactos, mas garantiu que apenas aceitará um projeto que lhe permita sentir-se realizado.

“Quero ser maioritariamente feliz, não interessa onde.”

O treinador admite que a possibilidade de trabalhar fora de Portugal passou a ser uma hipótese concreta.

Essa abertura levou-o recentemente a realizar um estágio com Paulo Fonseca, treinador do Lyon.

“A perspetiva abriu-se. Sempre quis fazer carreira em Portugal, mas há momentos em que devemos alargar horizontes.”

Mourinho, Guardiola e Klopp como referências

Na entrevista, Luís Pinto revelou também as principais influências da sua carreira.

José Mourinho surge como a grande inspiração inicial.

“Foi a pessoa que me despertou verdadeiramente o interesse pelo treino.”

Guardiola e Klopp completam o lote de referências, embora o técnico português também tenha destacado o trabalho de Rúben Amorim e a inovação trazida por Francesco Farioli ao futebol português.

Sobre o técnico italiano, deixou rasgados elogios.

“Trouxe coisas muito interessantes. Em Portugal não estamos habituados a ver equipas grandes defender baixo com prazer. Isso ensinou muito ao nosso futebol.”

Uma saída que continua a fazer eco

A entrevista surge como um desabafo e uma reflexão sobre uma passagem curta, mas marcante, por Guimarães.

Apesar do desfecho inesperado, Luís Pinto mostra-se convicto de que deixou trabalho feito e uma base sólida para o futuro.

E deixa claro que a página está virada, mas as cicatrizes da forma como tudo terminou ainda não desapareceram totalmente.

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