Reitores alertam para riscos do novo RJIES e temem “desvalorização” do ensino superior

CRUP critica reforma aprovada no Parlamento e aponta perda de clareza no sistema binário universitário e politécnico

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) manifestou preocupação com o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), recentemente aprovado no Parlamento, alertando para o risco de “desvalorização do sistema universitário” e para a “diluição do sistema binário” entre universidades e politécnicos.

O diploma estabelece um novo modelo organizativo para o ensino superior, introduzindo a designação de “universidades politécnicas” e prevendo a existência apenas da figura de “Reitor”, eliminando a atual designação de “Presidente” nos institutos politécnicos.

Reforma aprovada altera estrutura do ensino superior

O novo RJIES, aprovado com votos favoráveis do PSD, CDS-PP e Chega, redefine o enquadramento das instituições de ensino superior em Portugal, num processo legislativo que decorreu ao longo de vários meses.

A reforma prevê que os atuais institutos politécnicos passem a designar-se universidades politécnicas, aproximando formalmente os dois subsistemas do ensino superior.

CRUP alerta para perda de exigência e maior incerteza

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas considera que a eliminação de critérios objetivos na distinção entre universidades e politécnicos pode gerar “discricionariedade” e “inconsistência” ao longo do tempo.

Os reitores alertam ainda para o risco de maior incerteza para os estudantes e para um eventual “abaixamento dos níveis de exigência” no sistema, sobretudo caso instituições sem investigação consolidada ou doutoramentos acreditados venham a assumir a designação de universidade.

Autonomia institucional também sob crítica

Apesar de reconhecerem alguns aspetos positivos da reforma — como o reforço da autonomia institucional, a valorização do bem-estar estudantil e o incentivo à cooperação entre instituições — os reitores consideram que o diploma fica aquém das expectativas.

Segundo o CRUP, persistem limitações relevantes nos domínios financeiro, patrimonial e da gestão de recursos humanos, que continuam a restringir a capacidade estratégica das instituições.

Eleição de reitores e acreditação também geram reservas

Entre as principais críticas está também o novo modelo de eleição do reitor, que passará a ser feito por voto direto da comunidade académica, substituindo o atual sistema de eleição pelo Conselho Geral.

Os reitores alertam ainda para a complexidade do novo modelo e para a possibilidade de maior instabilidade institucional.

Outro ponto de preocupação prende-se com a abertura da acreditação de cursos a agências estrangeiras, o que, segundo o CRUP, pode introduzir novos níveis de incerteza no sistema.


Reforma resulta de processo longo e faseado

O RJIES estava em vigor desde 2007 e deveria ter sido revisto em 2012, mas o processo de reforma apenas avançou de forma consistente a partir de 2023, sofrendo várias interrupções políticas ao longo dos últimos anos.

A versão agora aprovada resulta de sucessivas alterações legislativas e discussões parlamentares, tendo sido retomada como prioridade pelo atual Governo.

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