Paralisação convocada pelas centrais sindicais promete afetar serviços públicos, transportes, saúde, educação e comércio em todo o país.
Portugal enfrenta esta quarta-feira uma greve geral de grande dimensão, convocada pelas centrais sindicais em protesto contra a revisão da legislação laboral promovida pelo Governo. A paralisação surge após o fracasso das negociações na Concertação Social, que terminaram sem qualquer entendimento entre o executivo e os parceiros sociais.
A contestação centra-se no pacote de alterações à lei laboral aprovado em Conselho de Ministros, que seguirá agora para discussão e votação na Assembleia da República. Os sindicatos acusam o Governo de avançar com medidas que consideram prejudiciais aos direitos dos trabalhadores, enquanto o executivo defende que as alterações visam modernizar o mercado de trabalho e aumentar a competitividade da economia.
A adesão à greve deverá ser significativa, abrangendo diversos setores de atividade. Entre os mais afetados estão a Administração Pública, os serviços de saúde, os estabelecimentos de ensino, os transportes públicos, a aviação civil e o comércio, prevendo-se constrangimentos e perturbações em várias regiões do país.
A mobilização sindical representa um dos maiores momentos de contestação social dos últimos anos. Recorde-se que a decisão de avançar para uma greve geral foi anunciada no final de 2025, numa resposta conjunta ao anteprojeto de reforma laboral apresentado pelo Governo liderado por Luís Montenegro.
O protesto assume também um significado histórico, uma vez que marca uma rara convergência entre as duas maiores centrais sindicais portuguesas. A última greve geral convocada em conjunto pela CGTP e pela UGT tinha ocorrido em junho de 2013, durante o período de assistência financeira internacional e sob a supervisão da chamada “troika”.
Com milhares de trabalhadores chamados a aderir à paralisação, o dia de hoje poderá ficar marcado por fortes impactos na atividade económica e nos serviços públicos, num momento em que o debate sobre o futuro das relações laborais em Portugal continua a dividir sindicatos, empregadores e Governo.
































