Projeto estratégico junta autarquia, Universidade do Minho e FCT para posicionar a cidade como polo internacional de inovação tecnológica, apoiado pelo supercomputador Deucalion
Guimarães prepara-se para dar um salto significativo no panorama tecnológico nacional e europeu com a instalação de uma Fábrica de Inteligência Artificial e a criação de um novo centro de dados, resultado de um investimento superior a cinco milhões de euros. A iniciativa pretende consolidar a cidade como um polo de inovação de referência, reforçando a ligação entre ciência, empresas e administração pública.
O projeto, designado Fábrica de IA BSC-IA e Supercomputação ao Serviço da Inovação, foi apresentado num encontro realizado no Auditório Nobre da Universidade do Minho, no campus de Azurém, reunindo representantes institucionais, investigadores, empresas e startups. A sessão foi promovida em articulação com o Município de Guimarães e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, sublinhando uma estratégia conjunta de reforço da capacidade tecnológica instalada no território.
No centro desta aposta está também o supercomputador Deucalion, que passa a desempenhar um papel ainda mais relevante no ecossistema de inovação, ao lado das novas infraestruturas agora anunciadas. A combinação destes recursos pretende acelerar o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial, com impacto direto na competitividade das empresas e na transferência de conhecimento científico para o tecido económico.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães destacou a importância estratégica do projeto, defendendo uma visão de futuro assente na transformação do território. A autarquia assume como objetivo posicionar a cidade como “Berço da Inovação”, aproveitando o seu legado histórico para impulsionar a modernização tecnológica e económica.
Segundo o autarca, a conjugação entre a Fábrica de IA, o supercomputador Deucalion e o novo centro de dados cria condições únicas para acelerar a inovação empresarial, permitindo às organizações locais desenvolver produtos e serviços mais sofisticados e competitivos em mercados internacionais. O investimento em infraestruturas digitais é, por isso, encarado como um fator decisivo para o crescimento sustentável da região.
A FCT sublinhou igualmente o caráter estruturante da iniciativa, considerando que a Fábrica de Inteligência Artificial representa um novo modelo de articulação entre investigação científica e aplicação prática. O objetivo passa por encurtar a distância entre a produção de conhecimento e a sua transformação em soluções concretas, reduzindo tempos de desenvolvimento e promovendo a criação de novos negócios baseados em tecnologia avançada.
De acordo com a entidade, a inteligência artificial assume hoje um papel transversal em múltiplos setores, desde a indústria à agricultura, passando pela energia, saúde e sistemas de visão computacional, tornando estas infraestruturas particularmente relevantes para a modernização da economia.
O programa do encontro incluiu ainda a apresentação de casos de utilização por startups e empresas que já recorrem a estas tecnologias, bem como uma mesa-redonda dedicada ao tema “IA e Supercomputação ao Serviço da Inovação”. Foram também demonstradas as capacidades técnicas do Deucalion, reforçando o seu papel enquanto ferramenta central no desenvolvimento científico e empresarial.
Com este investimento, Guimarães procura afirmar-se não apenas como um território com forte identidade histórica, mas como um centro ativo de produção de conhecimento e inovação tecnológica, capaz de atrair talento, investimento e projetos de escala internacional.
































