INEM investiga despacho de meios de socorro após morte de homem nas Taipas

Inem

Bombeiros Voluntários das Taipas tinham meios disponíveis, mas o CODU acionou uma ambulância de Guimarães. Instituto Nacional de Emergência Médica abriu uma averiguação interna para apurar o sucedido.

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vai realizar uma investigação interna para apurar as circunstâncias que levaram ao acionamento de meios de socorro mais distantes para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória na vila das Taipas, em Guimarães, onde um homem de 48 anos acabou por morrer.

O caso aconteceu na tarde de sábado e está a gerar dúvidas, uma vez que os Bombeiros Voluntários das Taipas, responsáveis pela área da ocorrência, garantem que tinham todos os meios operacionais disponíveis e poderiam ter chegado ao local em poucos minutos.

Homem entrou em paragem cardiorrespiratória

Segundo o INEM, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) recebeu o alerta às 12h52 para uma paragem cardiorrespiratória ocorrida na Avenida dos Combatentes do Ultramar, nas Taipas.

Após a triagem clínica, a situação foi classificada com prioridade máxima (P1), tendo sido imediatamente ativada uma resposta de emergência.

Enquanto os meios eram mobilizados, o operador do CODU prestou assistência telefónica ao contacto que efetuou o alerta, orientando a realização de manobras de Suporte Básico de Vida até à chegada das equipas de emergência.

Bombeiros de Guimarães foram acionados

De acordo com a informação disponibilizada pelo INEM, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Guimarães foi acionada às 12h55, seguindo-se, às 12h58, a ativação da ambulância dos Bombeiros Voluntários de Guimarães.

Mais tarde, às 13h05, foi também mobilizada a equipa de psicólogos do INEM para prestar apoio aos familiares.

Às 13h26, a equipa médica comunicou ao CODU que o óbito da vítima tinha sido confirmado no local.

Bombeiros das Taipas mostram surpresa

O comandante em exercício dos Bombeiros Voluntários das Taipas, José Augusto Ferreira, afirmou ter sido surpreendido pelo facto de a corporação não ter sido chamada para uma ocorrência localizada na sua área de atuação.

Segundo explicou, a corporação tinha todos os meios de socorro disponíveis e conseguiria chegar ao local entre três e cinco minutos, enquanto a ambulância de Guimarães percorreu cerca de nove quilómetros para responder à emergência.

O responsável revelou que os operacionais apenas tiveram conhecimento da ocorrência através das redes sociais e que só foram chamados posteriormente pelas autoridades para proceder à remoção do corpo.

Possível falha na georreferenciação

José Augusto Ferreira admite que possa ter existido um erro durante a fase de triagem e despacho dos meios, eventualmente relacionado com a georreferenciação utilizada pelo CODU.

O comandante acrescentou que aguarda uma explicação formal por parte do INEM para compreender porque motivo a corporação local não foi mobilizada.

INEM abre averiguação interna

Em resposta à agência Lusa, o INEM confirmou que o caso será alvo de uma análise interna destinada a verificar todos os procedimentos adotados durante o despacho dos meios de emergência.

Segundo o instituto, o objetivo é apurar se a resposta operacional decorreu de acordo com os protocolos em vigor e esclarecer as circunstâncias que levaram ao acionamento dos Bombeiros Voluntários de Guimarães em detrimento da corporação das Taipas.

O INEM recorda ainda que o despacho dos meios é efetuado pelo CODU com base na avaliação clínica da ocorrência e na informação operacional disponível no momento, procurando sempre garantir a resposta considerada mais rápida e adequada para cada situação.

A investigação interna deverá agora determinar se existiu alguma falha no processo de ativação dos meios de emergência e se houve necessidade de corrigir procedimentos para evitar situações semelhantes no futuro.

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