João Rodrigues assume decisão de suspender o BRT e reafirma prioridade à Circular Rodoviária Externa

Presidente da Câmara de Braga diz que a opção foi “solitária”, mas garante que tem o apoio da maioria dos bracarenses e assegura que o município não perdeu dinheiro com o projeto

O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, voltou a defender a decisão de suspender o projeto do Bus Rapid Transit (BRT) para dar prioridade à construção da Circular Rodoviária Externa (CRE), assumindo pessoalmente toda a responsabilidade pela opção tomada.

Durante a última reunião da Assembleia Municipal, o autarca respondeu às críticas da oposição, afirmando que a decisão foi tomada de forma “solitária”, mas que corresponde à vontade da maioria da população.

“O responsável sou eu”

Perante os deputados municipais, João Rodrigues fez questão de assumir integralmente a decisão.

“Espero que neste assunto percebam todos, de uma vez por todas, que há um responsável por esta medida. Sou eu. Não é a oposição, não é o PS, não é o Amar e Servir Braga, não é a Iniciativa Liberal, não é a CDU, não é o Chega. Sou eu. É o Presidente da Câmara, é este Executivo e é a maioria, mesmo que relativa, que o suporta.”

O autarca considera que apenas foi tomada a decisão que os bracarenses esperavam e acredita que a população reconhece a importância de privilegiar a construção da nova circular.

BRT não foi abandonado

João Rodrigues esclareceu que o projeto do BRT não foi cancelado em definitivo, mas apenas suspenso.

Segundo explicou, a prioridade passa agora pela concretização da Circular Rodoviária Externa, considerada essencial para retirar o trânsito de atravessamento do centro da cidade e cumprir os objetivos definidos no Plano Diretor Municipal (PDM).

Município garante que não perdeu verbas

Após a devolução dos 13 milhões de euros provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinados à construção da Linha Vermelha do BRT, o presidente da Câmara assegurou que o município não registou qualquer prejuízo financeiro.

“Nós não perdemos até agora um cêntimo com o BRT.”

Contudo, reconheceu que a rescisão de alguns contratos obrigará ao pagamento de indemnizações.

Indemnizações “muito inferiores” ao esperado

Embora os valores ainda estejam a ser negociados, João Rodrigues afirmou que as compensações deverão ficar bastante abaixo das estimativas avançadas pela oposição.

Segundo o autarca, as negociações estão “a chegar a bom porto” e o montante final será “muito inferior” ao que alguns partidos têm sugerido.

Prioridade é retirar trânsito do centro

O presidente da Câmara reiterou que o principal objetivo da estratégia municipal passa por reduzir o tráfego automóvel no centro urbano.

Na sua perspetiva, a construção da Circular Rodoviária Externa constitui uma infraestrutura estruturante para reorganizar a mobilidade em Braga, permitindo desviar o trânsito de atravessamento e criar melhores condições para a circulação dentro da cidade.

A decisão de suspender o BRT continua, no entanto, a gerar forte contestação por parte das bancadas da oposição, que acusam o executivo de abandonar um projeto considerado estratégico para a mobilidade sustentável no concelho.

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