Vitória SC salva empate no último suspiro frente ao Moreirense

Borevkovic marcou aos 90+6 minutos e evitou a derrota dos vimaranenses no dérbi do concelho de Guimarães. Vitória soma o quarto jogo consecutivo sem vencer

O Vitória SC evitou este domingo a derrota no dérbi do concelho de Guimarães, ao empatar 1-1 com o Moreirense, graças a um golo de Borevkovic já no sexto minuto de compensação.

Num encontro da sétima jornada da I Liga, Tiago Andrade colocou os visitantes em vantagem aos 52 minutos, mas o defesa central croata apareceu no último lance da partida para resgatar um ponto para a equipa da casa.

O empate deixa o Moreirense no 12.º lugar, com oito pontos, enquanto o Vitória SC ocupa a 14.ª posição, com cinco pontos, prolongando para quatro o número de jogos consecutivos sem vencer.

Vitória teve mais bola, mas criou pouco

Tiago Margarido apresentou três novidades no onze inicial, com Borevkovic, Gonçalo Nogueira e Alanzinho a assumirem a titularidade.

O Vitória teve maior posse de bola durante a primeira parte, com 58%, mas revelou dificuldades para transformar esse domínio em ocasiões de perigo.

Gustavo Silva rematou para fora aos nove minutos, enquanto Oumar Camara obrigou André Ferreira a intervir por duas vezes.

O Moreirense mostrou-se mais agressivo na pressão e procurou explorar rapidamente as transições. Tiago Andrade, aos nove minutos, e Leonardo Vonic, aos 26, testaram a atenção da defesa vimaranense.

Num dos lances de maior perigo do primeiro tempo, o guarda-redes Oliwier Zych perdeu a bola, obrigando Borevkovic a cortar para a linha final para impedir uma possível finalização dos visitantes.

Tiago Andrade coloca Moreirense na frente

Depois do intervalo, o Vitória surgiu mais disposto a assumir riscos, mas foi o Moreirense quem chegou ao golo.

Aos 52 minutos, Tiago Andrade aproveitou um contra-ataque e rematou cruzado, a meia altura, para colocar os visitantes em vantagem.

A resposta de Tiago Margarido foi imediata. Apenas quatro minutos depois, o treinador vitoriano mexeu em todo o meio-campo, lançando Beni Mukendi, Mitrovic e Samu para os lugares de Doucet, Gonçalo Nogueira e Alanzinho.

A alteração teve impacto e o Vitória aumentou a pressão sobre a baliza de André Ferreira.

Maracás trava reação vitoriana

O Vitória esteve muito perto do empate em duas ocasiões consecutivas.

Aos 60 minutos, Maracás apareceu no momento certo para afastar de cabeça um remate de Tony Strata que levava perigo.

No minuto seguinte, o central do Moreirense voltou a ser decisivo ao intercetar um remate cruzado de Samu, novamente com forte possibilidade de terminar em golo.

A equipa de Vasco Botelho da Costa conseguiu, entretanto, baixar o ritmo do encontro e controlar a reação vimaranense durante largos minutos.

Borevkovic aparece aos 90+6

A partir dos 80 minutos, o Vitória voltou a aproximar-se com maior frequência da área adversária e lançou-se numa pressão final para evitar a derrota.

A insistência acabou por dar resultado no último lance da partida.

Aos 90+6 minutos, Samu cruzou da esquerda e Borevkovic apareceu ao segundo poste para fazer a emenda certeira e estabelecer o 1-1.

O golo evitou a derrota do Vitória, mas não impediu a contestação nas bancadas.

Assobios no final

Nas bancadas do Estádio D. Afonso Henriques estiveram 14.982 espectadores, num ambiente que terminou dividido.

Os jogadores do Moreirense foram aplaudidos pelos seus adeptos, apesar de a equipa ter deixado escapar a vitória no último suspiro.

Já os jogadores do Vitória ouviram assobios e foram visíveis alguns lenços brancos entre a maioria dos adeptos da casa, num sinal de descontentamento perante o arranque de campeonato da equipa vimaranense.

Tiago Margarido: «Tivemos uma conversa, perceber o nosso caminho»

Treinador do Vitória SC só apareceu na sala de imprensa mais de uma hora depois do empate com o Moreirense. Fernando Meira acompanhou o técnico na conferência

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Tiago Margarido explicou o atraso de mais de uma hora na conferência de imprensa após o empate do Vitória SC frente ao Moreirense (1-1) com uma reunião prolongada no balneário, destinada a analisar o momento da equipa e definir o caminho a seguir.

O treinador vitoriano surgiu na sala de imprensa acompanhado por Fernando Meira, enquanto o presidente do clube, Rui Rodrigues, assistiu à conferência.

«O que se passa cá dentro, fica cá dentro»

Questionado sobre o motivo do atraso, Tiago Margarido explicou que jogadores e equipa técnica permaneceram no balneário a trocar ideias após o encontro.

«Deveu-se ao facto de estarmos a falar todos em conjunto no balneário, a trocar ideias, a perceber o nosso caminho e os pontos em que a equipa tem de melhorar», afirmou.

O técnico garantiu que se tratou de uma conversa semelhante a outras já realizadas anteriormente, embora desta vez tenha sido mais prolongada.

«Houve uma conversa», resumiu.

Tiago Margarido aproveitou ainda para reforçar a importância da confidencialidade dentro do clube.

«Há uma coisa que primamos neste clube, que tem a ver com blindagem. Quando não existe isso eu sou o primeiro a não gostar, o que se passa cá dentro fica cá dentro.»

E acrescentou: «Não posso ser o primeiro foco de saída de informação. O que se passa cá dentro, fica cá dentro.»

«Não foi um bom jogo da nossa parte»

Na análise ao encontro, o treinador considerou que o Vitória teve algum ascendente na primeira parte, apesar de reconhecer que o jogo foi demasiado cauteloso.

«As equipas entraram com muita preocupação do controlo do jogo, com poucos erros. Foi uma primeira parte muito cautelosa de ambas as partes», explicou.

Para Margarido, o Vitória foi a equipa que assumiu maior iniciativa, enquanto o Moreirense procurou sobretudo aproveitar eventuais erros.

«Mesmo assim, a equipa com ascendente fomos nós. O Moreirense esperou sempre pelo nosso erro.»

Na segunda parte, o Vitória procurou assumir uma postura mais ambiciosa, mas acabou por sofrer primeiro.

«Tentamos ser mais ambiciosos, mas no único remate fazem golo.»

O golo teve impacto no rendimento da equipa, segundo o técnico.

«A equipa ficou um pouco intranquila e não tivemos a qualidade de jogo que pretendíamos nesse momento.»

O empate acabou por surgir já nos descontos, através de Borevkovic, mas Margarido reconheceu que a exibição ficou aquém do pretendido.

«Acabámos por chegar ao empate, de forma justa, mas obviamente não foi um bom jogo da nossa parte, não tivemos a capacidade demonstrada noutros jogos.»

Três alterações no meio-campo

Tiago Margarido explicou também a decisão de substituir os três médios pouco depois do golo do Moreirense.

«Sentimos que estávamos com pouca capacidade de pressionar», justificou.

O treinador explicou ainda que Alanzinho não tinha realizado a pré-temporada e que a desvantagem no marcador obrigou a equipa a aumentar a pressão.

«O facto de sofrer o golo fez com que tivéssemos de ser mais pressionantes.»

A entrada de Beni Mukendi teve também um objetivo específico: aumentar a capacidade física no meio-campo e permitir maior liberdade aos laterais.

«Quisemos mudar um pouco, criar jogo a partir de trás e pusemos o Beni para dar capacidade física ao meio, até porque pretendíamos que os dois laterais subissem em simultâneo.»

«A insatisfação tem a ver com os resultados»

O empate não impediu a contestação nas bancadas do Estádio D. Afonso Henriques, onde foram ouvidos assobios e exibidos alguns lenços brancos.

Tiago Margarido considerou compreensível a reação dos adeptos.

«É completamente normal, querem muito ganhar, nós também queremos muito.»

O treinador reconheceu, contudo, que desta vez a insatisfação não esteve apenas relacionada com os resultados.

«A insatisfação dos adeptos até hoje tem a ver com os resultados e não com exibições, hoje tem também a ver com a exibição.»

Vasco Botelho da Costa: «Vitória teve bola, mas sem nos agredir»

Treinador do Moreirense considera que a sua equipa fez «um grande jogo» em Guimarães e lamenta ter perdido o triunfo no último lance

Vasco Botelho da Costa deixou o Estádio D. Afonso Henriques com sentimentos divididos. O treinador do Moreirense mostrou-se satisfeito com a exibição da equipa no empate 1-1 frente ao Vitória SC, mas não escondeu a frustração por ter sofrido o golo da igualdade já no sexto minuto de compensação.

O técnico destacou a capacidade do Moreirense para controlar o jogo e resistir à pressão vitoriana, considerando que o adversário teve posse de bola, mas criou poucas situações de verdadeiro perigo.

«Permitiu-se que o Vitória tivesse bola, mas sem nos agredir»

Vasco Botelho da Costa começou por elogiar os adeptos do Moreirense, que se fizeram ouvir num estádio com forte presença vitoriana.

«Tenho que deixar uma palavra aos nossos adeptos. Não é fácil praticamente só se ouvir os nossos adeptos num estádio de um grande clube», afirmou.

O treinador considerou que a equipa conseguiu cumprir o plano definido, apesar do calor e da pressão exercida pelo Vitória.

«Tivemos capacidade para sair da pressão, sendo justo o calor dificultou, mas gerimos de forma inteligente a pressão.»

Na leitura de Botelho da Costa, o Moreirense permitiu ao adversário ter a bola, mas conseguiu impedir que essa posse se traduzisse em situações de perigo.

«Permitimos que o Vitória tivesse bola, mas sem nos agredir.»

Moreirense perdeu rigor nos minutos finais

O treinador reconheceu que a equipa começou a perder algum rigor à medida que o encontro se aproximava do fim.

«Com a necessidade de refrescar perdemos um pouco do nosso posicionamento e do nosso rigor», explicou.

E foi precisamente nessa fase que o Vitória conseguiu aumentar a pressão e chegar ao empate através de Borevkovic.

«Quando tivemos de trancar o jogo acabamos por não ter o melhor rigor», admitiu.

Botelho da Costa considerou que o Vitória acabou por beneficiar do contexto dos minutos finais.

«O Vitória acabou por ser feliz, já a bombear bolas com os centrais na área.»

Apesar do resultado, o técnico manteve uma avaliação muito positiva da prestação da equipa.

«Fizemos um grande jogo, uma grande exibição, demos passos em frente.»

«Estamos muito satisfeitos com a prestação, mas frustrados com o resultado»

O treinador identificou, ainda assim, aspetos a melhorar, sobretudo na capacidade ofensiva.

«Temos de melhorar na última linha ofensiva, desmontar melhor os adversários.»

Vasco Botelho da Costa lembrou também que o plantel sofreu várias alterações nas últimas semanas do mercado, o que exige tempo para consolidar processos.

«Não é fácil, tivemos várias contratações nas últimas semanas do mercado.»

A conclusão, contudo, foi clara: «Estamos muito satisfeitos com a prestação, mas frustrados com o resultado.»

Paragem chega num momento importante

Com a pausa competitiva pela frente, o treinador considera que o período sem jogos pode ser aproveitado para consolidar a equipa.

«Honestamente, acho que precisamos de descansar, foi um ciclo exigente para nós», afirmou.

O calendário recente colocou o Moreirense diante de adversários como Braga, Benfica, FC Porto e Vitória.

«Já temos Braga, Benfica, Porto e Vitória, foi um ciclo muito exigente para nós, tivemos de competir e, ao mesmo tempo, fazer a equipa desenvolver-se.»

Por isso, Botelho da Costa encara a paragem como uma oportunidade de trabalho: «Olhamos para a paragem como uma oportunidade de trabalhar.»

Tiago Andrade ganha espaço

O treinador deixou também elogios a Tiago Andrade, autor do golo do Moreirense em Guimarães.

«É um jogador que está a aproveitar o espaço para crescer. Pode ajudar, não só o Tiago como todos.»

Para Botelho da Costa, a concorrência interna é um sinal positivo da qualidade do plantel.

«Ainda que não estejam em pé de igualdade em termos físicos, quando olho para o lado e tenho dúvidas no que devo fazer, é porque há qualidade.»

O técnico considera que o Moreirense reuniu condições para continuar a apostar no crescimento dos jogadores mais jovens.

«O Moreirense fez um mercado com qualidade, sentimos que temos condições para ser uma das boas equipas do campeonato, e fazer estes jovens crescer e evoluir.»

Ficha de Jogo

Jogo realizado no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.

Vitória SC – Moreirense, 1-1.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores

0-1, Tiago Andrade, 52 minutos.

1-1, Borevkovic, 90+6.

Equipas

– Vitória SC: Oliwier Zych, Tony Strata, Thiago Balieiro, Borevkovic, João Mendes, Doucet (Samu, 56), Gonçalo Nogueira (Mitrovic, 56), Alanzinho (Beni Mukendi, 56), Gustavo Silva (Miguel Nogueira, 12), Oumar Camara (Victor Andersson, 72) e Jakupovic.

(Suplentes: Juan Castillo, Miguel Maga, Óscar Rivas, Sidibé, Francisco Dias, Beni Mukendi, Mitrovic, Santiago Verdi, Samu, Victor Andersson, Miguel Nogueira e Patrick Ouotro).

Treinador: Tiago Margarido.

– Moreirense: André Ferreira, Dinis Pinto, Gabriel Batista, Maracás, Francisco Domingues, Guilherme Liberato, Nile John (Kevyn Monteiro, 89), Tiago Andrade (Rodrigo Alonso, 66), Manuel Mendonça (Landerson, 66), Kiko Bondoso (Chipyoka Songa, 63) e Leonardo Vonic (Yan Lincon, 63).

(Suplentes: Aranha, Francisco Barbosa, Leandro Santos, Kevyn Monteiro, Janderson, Álvaro Martínez, Stjepanovic, Rodrigo Alonso, Chipyoka Songa, Landerson, Parsemain e Yan Lincon).

Treinador: Vasco Botelho da Costa.

Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda).

Ação disciplinar: nada a assinalar.

Assistência: 14.982 espetadores.

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