PSP interveio durante a madrugada para retirar as tendas instaladas no Rossio e na Praça D. João I. Autoridades contabilizam 11 feridos, incluindo três polícias, e 31 detenções por desobediência. Organizadores denunciam uma atuação intimidatória e contestam o uso da força.

A madrugada deste domingo ficou marcada por confrontos entre a polícia e manifestantes que participavam nas acampadas pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto. A PSP avançou para retirar as tendas instaladas nas praças do Rossio e D. João I, numa operação que terminou com 31 pessoas detidas e 11 feridos, segundo os números mais recentes divulgados pelas autoridades.

Durante a intervenção, ouviram-se gritos de «cheira a ditadura» e críticas à atuação policial. Os manifestantes formaram cordões humanos para tentar impedir a remoção das tendas, tendo a polícia recorrido à força para desmobilizar os participantes e retirar as estruturas.

A operação decorreu de forma simultânea nas duas cidades, depois de a PSP ter avisado que não permitiria a permanência das tendas durante a noite, em particular na praça lisboeta do Rossio.

Operação começou durante a madrugada

Em Lisboa, a manifestação tinha começado no sábado à tarde, com uma marcha entre o Marquês de Pombal e o Rossio. A organização estimou a participação em cerca de 25 mil pessoas.

Ao longo da noite, centenas de manifestantes permaneceram na praça, entre cânticos e intervenções num palco improvisado, enquanto eram montadas tendas junto ao Teatro Nacional D. Maria II.

No início da tarde de sábado, a PSP já tinha anunciado que não permitiria que as estruturas permanecessem durante a noite. Por volta da 1h00 de domingo, os manifestantes começaram a observar um reforço do dispositivo policial, incluindo equipas cinotécnicas.

Seguiram-se conversações entre a polícia e os organizadores, que recusaram retirar as tendas, segundo relatos divulgados pela comunicação social.

Perto das 2h00, as duas praças estavam cercadas por agentes. A polícia começou então a dispersar os manifestantes e a remover as estruturas, perante a resistência de participantes que formaram um cordão humano.

«É a terceira noite em que somos reprimidos»

A atuação policial foi contestada por participantes nas acampadas. Catarina Santos, porta-voz do protesto no Porto, criticou o dispositivo montado pelas autoridades e afirmou, citada pela Lusa, que havia «pelo menos 20 cães de controlo de multidões», considerando a presença policial intimidatória.

«É a terceira noite em que somos reprimidos com um método de intimidação total que jamais se esperaria num país democrático e de Direito», declarou aos jornalistas.

Na Praça D. João I, no Porto, pessoas que assistiam à intervenção também criticaram a atuação da PSP e entoaram «Grândola, Vila Morena», canção associada à Revolução de 25 de Abril de 1974.

Números de feridos e detenções

Nas primeiras horas da manhã, foram divulgados números diferentes sobre as consequências da operação. A PSP indicou inicialmente ao Observador a existência de 11 feridos — seis em Lisboa e cinco no Porto —, incluindo três agentes policiais.

Por sua vez, uma porta-voz da acampada do Porto referiu à Lusa que tinham sido registados 37 feridos ligeiros e duas detenções.

A atualização mais recente da PSP, citada pela Euronews, aponta para 31 detenções por desobediência nas duas cidades e 11 feridos, três dos quais polícias.

Protestos contra a crise na habitação

As acampadas surgem no âmbito da mobilização pelo direito à habitação, que tem levado manifestantes a ocupar espaços públicos para exigir respostas à subida dos preços das casas e às dificuldades de acesso a uma habitação.

A permanência das tendas no Rossio e na Praça D. João I tornou-se um dos principais pontos de conflito entre os participantes e as autoridades nas últimas semanas.

Os manifestantes têm também apresentado reivindicações relacionadas com o custo de vida, incluindo os preços dos bens essenciais e dos combustíveis, e a tributação dos lucros extraordinários do setor bancário.

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