Luís Neves rejeita que as operações nas acampadas de Lisboa e do Porto tenham sido desproporcionais e garante que não deu ordens à polícia. Intervenções terminaram com 31 detidos e 11 feridos, segundo os dados divulgados pela PSP.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, defendeu este domingo a atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) nas acampadas pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto, considerando que as intervenções tiveram como objetivo repor a ordem pública e garantir o cumprimento da lei.

Questionado sobre a possibilidade de ter existido uso desproporcionado da força durante a dispersão dos manifestantes e a remoção das tendas, o governante rejeitou essa interpretação.

«O que eu vi e acho que vimos todos foi força física para fazer cumprir a lei e o estado de direito», afirmou Luís Neves, em declarações aos jornalistas em Celorico de Basto, no distrito de Braga, onde participou na cerimónia comemorativa do Dia Distrital dos Bombeiros de Braga.

Ministro garante que não deu ordens à PSP

Luís Neves sublinhou que as operações foram decisões da própria PSP, ao abrigo da autonomia técnica, tática e operacional das forças de segurança.

«Nenhuma força de segurança precisa de indicações para cumprir a lei. Cada força de segurança tem a sua autonomia técnica, tática e operacional», declarou.

O ministro garantiu que não deu qualquer ordem para a realização das intervenções, defendendo que compete às autoridades atuar quando consideram existir uma situação de ilegalidade.

«Quando existe uma violação da lei, é normal, é aceitável, é desejável que tudo se faça para que essa ordem pública seja reposta», afirmou.

O governante referiu-se à ocupação das praças com tendas, sustentando que o espaço público deve poder ser utilizado por todos.

«O espaço público que é de todos tem de ser usufruído por todos, esse espaço tem de ser restituído à liberdade e foi isso que as forças de segurança fizeram», acrescentou.

Luís Neves rejeita uso desproporcionado da força

Confrontado diretamente com as críticas à dimensão do dispositivo policial e à utilização de bastões contra os manifestantes, o ministro afirmou ter acompanhado a operação.

«Só vi, uma única vez, face a uma manifesta oposição, a que um bastão tenha sido utilizado», declarou, justificando a sua avaliação sobre a intervenção.

As operações decorreram durante a madrugada deste domingo, depois de várias horas de tensão e de ordens policiais para que os participantes retirassem as tendas instaladas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto.

A PSP avançou para a dispersão dos manifestantes e a remoção das estruturas, numa intervenção que motivou críticas de participantes e testemunhas, que contestaram o recurso à força.

Operações terminaram com detidos e feridos

Segundo os dados mais recentes divulgados pela PSP, as intervenções nas duas cidades resultaram em 31 detenções por desobediência e 11 feridos, incluindo três agentes policiais.

As acampadas integram uma mobilização contra a crise na habitação, com reivindicações que incluem o aumento da oferta de habitação pública, limites às rendas e o fim dos despejos sem alternativa habitacional.

A atuação policial gerou contestação por parte dos movimentos envolvidos, que consideram excessiva a resposta das autoridades. O ministro da Administração Interna, por seu lado, defende que as operações visaram repor a ordem pública e fazer cumprir a lei.

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