O presidente do Vitória SC, António Miguel Cardoso, exigiu um pedido de desculpas por parte de Álvaro Pacheco aos adeptos do clube, após a sua saída inesperada. Em conferência de imprensa esta quarta-feira, no Estádio D. Afonso Henriques, o dirigente confirmou que o treinador apresentou a demissão, deixando a equipa a custo zero para assinar pelo Vasco da Gama.

Cardoso não confirmou Rui Borges como sucessor, mas salientou que a direção está empenhada em encontrar um substituto “comprometido”. O presidente lançou críticas a Pacheco, referindo que este não compareceu a um almoço entre jogadores, equipa técnica e direção, demonstrando falta de compromisso.

A saída de Pacheco foi motivada por uma reunião em Lisboa com representantes de um clube brasileiro, onde o treinador não manteve a discrição acordada, tendo realizado reuniões digitais sem autorização do Vitória SC. O presidente revelou ainda que Pacheco abordou técnicos da estrutura vimaranense para o acompanharem no novo projeto.

O técnico Rui Cunha assume interinamente a equipa para o último jogo da época, frente ao Arouca, enquanto Álvaro Pacheco segue para o Brasil.


Leia aqui o comunicado na integra:

A um jogo do fim do campeonato, e tendo em conta o ocorrido no dia de ontem, este é o momento oportuno para esclarecer os Vitorianos de todos os factos que desde há três jornadas envolveram a relação do treinador Álvaro Pacheco com o Vitória.

E este é o tempo preciso para o fazer porque, a partir do jogo em casa com o Boavista realizado a 27 de abril, o Vitória tinha legítimas expectativas de ascender aos lugares cimeiros da classificação, o que exigia de todos os intervenientes, atletas, equipa técnica e dirigentes, total dedicação e foco exclusivo em cada um dos últimos três jogos do campeonato.

Para isso mostrou-se necessário que os graves problemas com os quais nos confrontaram a partir de 29 de abril fossem tratados de forma sensata, a não destabilizar a equipa e a prosseguir o foco no que é o mais importante, que eram e são, os interesses do Vitória.

Seguramente que os verdadeiros apaixonados pelo Vitória e aqueles que se preocupam por conhecer a verdade concordarão que, atendendo aos referidos interesses do Vitória e aos factos que seguidamente se darão a conhecer, ser este, e não outro, o momento certo e adequado para comunicar toda a realidade que vem rodeando a equipa principal do Vitória nestes últimos tempos.

Os factos são os seguintes:

1 – No dia 28 de abril o Presidente do Vitória Sport Clube – Futebol, SAD foi contactado por um representante do treinador Álvaro Pacheco, o qual lhe comunicou que o treinador pretendia reunir-se pessoal e presencialmente com representantes de um clube brasileiro e se o presidente via algum inconveniente na realização dessa reunião;

2 – O Presidente do Vitória Sport Clube respondeu que não se oporia à realização dessa reunião, mas sob condição de que acontecesse de forma discreta e totalmente sigilosa, condição que deixou ficar bem clara.

3 – Imediatamente, após essa conversa, o Presidente do Vitória Sport Clube recebeu uma chamada do treinador Álvaro Pacheco a agradecer o facto de não se ter oposto à realização da dita reunião, tendo aquele, uma vez mais, e agora diretamente perante o treinador, deixado claro que a realização da reunião deveria ser discreta e sigilosa.

4 – Nas conversas mantidas quer com o treinador Álvaro Pacheco, quer com o seu representante, estes nunca informaram o Presidente do Vitória Sport Clube do dia, hora e local onde pretendiam reunir-se com o clube brasileiro.

5 – Entretanto, a estrutura do Vitória que trabalha com a equipa principal de futebol tinha previamente agendado para o dia 29 de abril um evento com a participação de jogadores, treinadores, elementos do departamento médico e restantes membros do staff, com o objetivo de fortalecer o grupo de trabalho e os seus laços emocionais, e a todos motivar positivamente para que nos três últimos jogos do campeonato fossem cumpridos os objetivos então ao alcance do Vitória;

6 – Surpreendentemente, o treinador Álvaro Pacheco faltou a esse evento para se reunir com os representantes do clube brasileiro. Fê-lo sem informar qualquer dirigente do Vitória nem qualquer responsável pela estrutura da equipa. Ao que se julga saber, apenas terá comunicado essa ausência a um dos capitães, alegando motivos pessoais;

7 – Na manhã de 30 de abril os responsáveis pelo Vitória são confrontados com uma fotografia do treinador Álvaro Pacheco partilhada numa rede social por um sobejamente conhecido restaurante de Lisboa, especificamente pelo universo do futebol, acompanhado por uma outra pessoa, e com o seguinte comentário: “resistirá o treinador português ao anunciado chamamento brasileiro?”;

8 – De imediato, o Presidente do Vitória Sport Clube ligou para o representante do treinador dando-lhe conta da gravidade dessa situação e do seu desagrado pelo completo desrespeito pelas condições acordadas relativamente à discrição e sigilo na realização da reunião, e que perante o que havia acontecido o treinador Álvaro Pacheco tinha de clarificar se estava na disposição de permanecer como treinador do Vitória e cumprir o contrato que mantinha com o Clube até ao final da próxima época, ou se queria desvincular-se de imediato;

9 – A resposta daquele representante foi que a intenção e vontade do treinador Álvaro Pacheco era abandonar o Vitória no final desta época;

10 – Com o avançar do dia 30 de abril o Presidente do Vitória Sport Clube é informado que o treinador Álvaro Pacheco abordou adjuntos da equipa principal, e que faziam parte da estrutura mesmo antes da sua chegada ao Clube, para a ele se juntarem naquela que seria a futura equipa técnica do clube brasileiro;

11 – O Vitória tomou ainda conhecimento que antes destes factos o treinador Álvaro Pacheco havia mantido com o mesmo clube brasileiro diversas reuniões através de videoconferência, sem que disso tenha dado conhecimento aos responsáveis do Vitória.

12 – Na noite de ontem (14-05-2024), o Presidente do Vitória Sport Clube foi contactado pelo representante do treinador Álvaro Pacheco, informando-o de que o treinador apresentava a sua demissão, com efeitos imediatos, o que, atento as circunstâncias, foi aceite.

13 – Em face desta situação, os treinos e orientação do último jogo do campeonato serão assegurados por Rui Cunha, juntamente com outros treinadores da casa, que de imediato aderiram e abraçaram essa responsabilidade, o que é de realçar.

Estes são os factos.

Sobre eles, os Vitorianos formarão as suas convicções e conclusões.

Por último, não podemos deixar de relembrar o seguinte:

No Vitória, todos, repete-se, todos, somos prescindíveis e todos temos a obrigação de defender e salvaguardar os interesses do emblema que devemos honrar e proteger.

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