Intercalares nos EUA põem em jogo o controlo do Congresso e a margem de Trump até ao fim do mandato

Os republicanos têm uma vantagem curta nas duas câmaras. Uma vitória democrata pode transformar o presidente num “lame duck” e abrir caminho a novas investigações.

Os norte-americanos são chamados às urnas nesta terça-feira, 3 de novembro, para renovar parte do Congresso. As eleições intercalares, ou midterms, realizam-se a meio do mandato presidencial e funcionam como um teste à governação de Donald Trump.

Embora o presidente possa tomar várias decisões por decreto executivo, muitas medidas precisam de aprovação do Congresso. Os republicanos controlam atualmente o Senado e a Câmara dos Representantes, mas por uma margem reduzida. Se os democratas conquistarem uma ou ambas as câmaras, Trump terá mais dificuldade em aplicar a sua agenda, tanto na política interna como na externa.

Na Câmara dos Representantes há 218 republicanos e 214 democratas. Vários analistas consideram provável uma viragem a favor dos democratas. A maioria mínima é de 218 lugares, e um número acima de 240 é considerado bastante sólido à luz dos últimos anos.

No Senado há 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes que costumam votar com os democratas. Em caso de empate a 50, o voto decisivo cabe ao vice-presidente, JD Vance. Projeções recentes indicam que os democratas também podem conquistar a maioria nesta câmara.

Uma vitória democrata daria ao partido o controlo da agenda legislativa e abriria caminho a investigações com vista a um processo de destituição. Trump já escapou por duas vezes à destituição, que exige dois terços dos votos no Senado, ou seja, 67. Com uma maioria hostil no Congresso, poderá passar o resto do mandato como um presidente lame duck, expressão que significa literalmente “pato coxo”.

As atenções centram-se também no dia seguinte à votação e na reação de Trump a uma eventual derrota. O presidente tem dado sinais de que poderá contestar os resultados e já ordenou ao Departamento de Justiça que impugne a eleição no Alasca caso o candidato democrata vença.

A economia domina a campanha. Numa sondagem da agência Associated Press com o centro NORC, 80 por cento dos eleitores, democratas e republicanos, defendem a redução do custo de vida. Além disso, 70 por cento querem o fim da guerra contra o Irão, que fez subir o preço dos combustíveis. Este conflito contraria também a promessa de não intervenção com que Trump conquistou parte do eleitorado.

Quase 50 por cento dos norte-americanos pretendem uma “mudança substancial” na forma como o país é governado, e mais de um terço defende uma mudança radical.

A imigração é outro tema central. Segundo o site realclearpolling.com, mais de 54 por cento dos norte-americanos estão descontentes com a política de combate à imigração ilegal. As rusgas da polícia de imigração e fronteiras (ICE) têm gerado imagens que chocaram a opinião pública e mudaram a posição de muitos eleitores que defendiam o fecho da fronteira durante a administração Biden.

Uma sondagem Reuters/Ipsos divulgada a 19 de outubro indicava que 66 por cento dos norte-americanos desaprovavam o governo de Trump, um dos valores mais altos dos seus dois mandatos. Este descontentamento pode incentivar a participação, apesar de os democratas não terem uma liderança nacional capaz de gerar grande entusiasmo.

Entre as disputas mais observadas está a do Senado no Texas, onde as sondagens mostram um empate entre o democrata James Talarico e o republicano Ken Paxton. Talarico tem recebido apoio de membros da família Bush, tradicionalmente republicana. Há 32 anos que nenhum democrata vence uma eleição estadual no Texas.

Em alguns estados, os eleitores escolhem também o governador, e uma mulher negra poderá assumir pela primeira vez a liderança de um estado norte-americano. No Minnesota, a democrata Amy Klobuchar disputa o cargo com a republicana negra Lisa Demuth. Na Geórgia, a democrata negra Keisha Lance Bottoms concorre contra o republicano Rick Jackson.

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