Selecionador nacional garante que não teve qualquer responsabilidade na decisão do capitão de abandonar a equipa das quinas. Na apresentação dos 28 convocados para os jogos frente à Dinamarca e ao País de Gales, o treinador falou ainda da relação com CR7, afastou qualquer mágoa e revelou os cinco jogadores que assumem a liderança da seleção portuguesa.
Jorge Jesus colocou esta sexta-feira os pontos nos is sobre a saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional. Na conferência de imprensa de apresentação dos 28 jogadores convocados para os dois últimos encontros da fase de grupos da Liga das Nações, frente à Dinamarca e ao País de Gales, o selecionador português rejeitou qualquer responsabilidade na decisão do avançado do Al Nassr de colocar um ponto final na carreira internacional.
Questionado sobre a possibilidade de Cristiano Ronaldo ter decidido abandonar a seleção devido aos acontecimentos da última concentração, Jorge Jesus foi perentório: «Não me sinto culpado de nada».
O treinador explicou que as decisões tomadas durante o último período de trabalho tiveram exclusivamente em consideração os interesses coletivos, sublinhando que nunca agiu em função de questões individuais.
«Não mudava nada, zero, porque tomei uma decisão de treinador, a pensar na minha equipa, na equipa portuguesa. Estou consciente de que não fiz nada para que isto tivesse acontecido», afirmou.
Jorge Jesus reconheceu, contudo, que poderá ter antecipado o momento da saída do internacional português, mas garantiu que essa decisão já estaria na cabeça do jogador.
«Se calhar, apressei as coisas, mas, por minha causa, não. Estava na cabeça dele que, mais convocatória, menos convocatória… Iria sempre ser comigo a saída dele», explicou.
Apesar do desfecho, o selecionador fez questão de destacar a relação pessoal e profissional construída com Cristiano Ronaldo ao longo do último ano e meio, período em que trabalharam juntos e conquistaram títulos.
«Respeito a decisão dele, e a história não pode ser ignorada, e nunca o vou fazer, porque vai ser sempre um símbolo. Criei, ao longo deste ano e meio, uma amizade forte com ele», acrescentou.
Jorge Jesus garante que não ficou magoado com Cristiano Ronaldo
A saída de Cristiano Ronaldo levantou várias questões sobre o relacionamento entre o jogador e o selecionador, nomeadamente sobre uma eventual quebra de confiança ou divergências durante a última concentração.
Jorge Jesus afastou qualquer cenário de ressentimento e garantiu que não existe mágoa relativamente à decisão do antigo capitão.
«Não há mágoa nenhuma, porque todas as minhas decisões foram a pensar na equipa, eu como treinador, defendendo sempre o melhor para a equipa. Estou tranquilo em relação à minha decisão», afirmou.
O treinador revelou também que ainda não tinha falado diretamente com Cristiano Ronaldo sobre a sua despedida, uma vez que contava convocá-lo para os próximos compromissos internacionais.
«Não falei com o Ronaldo, porque estava a pensar convocá-lo, e aí teria tempo para falar com ele», explicou.
Questionado sobre o que poderá ter mudado no avançado no espaço de um mês, Jorge Jesus preferiu não avançar com explicações, remetendo essa responsabilidade para o próprio jogador.
«Não tenho nenhuma certeza. A certeza absoluta que tenho é de que o Cris trabalhou comigo durante um ano, fomos felizes no clube onde estivemos, fomos campeões, e respeito a decisão dele», declarou.
O selecionador deixou ainda claro que a ausência de Cristiano Ronaldo não altera os objetivos da equipa das quinas nem aumenta a pressão sobre o grupo.
Bernardo Silva assume a braçadeira de capitão
Com a saída de Cristiano Ronaldo, uma das principais questões passa agora pela liderança da Seleção Nacional e pela sucessão na braçadeira de capitão.
Jorge Jesus confirmou que a escolha continuará a obedecer ao critério do número de internacionalizações, não sendo uma decisão diretamente tomada pelo selecionador.
Assim, Bernardo Silva será o primeiro na hierarquia, seguindo-se Rúben Dias, João Cancelo, Rúben Neves e Bruno Fernandes.
«Na seleção, o treinador não escolhe os capitães, são escolhidos pelas suas internacionalizações. Os que têm mais são cinco. Curiosamente, todos foram meus jogadores, em clubes onde treinei», revelou.
O treinador destacou particularmente a experiência e a qualidade de Bernardo Silva, considerando que o médio reúne todas as condições para assumir a responsabilidade deixada por Cristiano Ronaldo.
Sete novidades e aposta na renovação da Seleção Nacional
A convocatória apresentada por Jorge Jesus contempla 28 jogadores e inclui várias novidades, numa aposta clara na renovação e na integração de jovens talentos no grupo principal.
Entre os nomes em destaque estão Alberto Costa, Geovany Quenda e Gustavo Varela, que mereceram a confiança do selecionador.
Sobre Alberto Costa, lateral-direito do FC Porto, Jorge Jesus destacou a evolução demonstrada pelo jogador, a capacidade física e as características técnicas.
«Tenho a certeza de que vai ser um jogador de futuro, no qual Portugal vai ter mais um grande jogador», afirmou.
Também Geovany Quenda, atualmente ao serviço do Chelsea, mereceu elogios. Apesar de não estar a somar tantos minutos como titular, o jovem extremo foi considerado uma aposta importante para o futuro da seleção.
«É um miúdo, o futuro da seleção, e, como tal, quero começar a adaptar os jovens jogadores, não a pensar no Campeonato do Mundo ou da Europa, mas sim nas minhas ideias», explicou.
Já Gustavo Varela chega à convocatória depois de se destacar ao serviço da AS Roma, com Jorge Jesus a sublinhar a capacidade goleadora do avançado.
«É um miúdo que é só o melhor marcador da Serie A, e, para isso, tens de ter qualidade», justificou.
Fábio Silva, atualmente no Borussia Dortmund, também mereceu a confiança do selecionador, que destacou a evolução do avançado e as características que considera adequadas ao seu modelo de jogo.
Rodrigo Mora pode ser alternativa a João Félix
Outra das escolhas que despertou atenção foi a inclusão de Rodrigo Mora, jovem jogador que poderá desempenhar funções semelhantes às de João Félix no modelo de Jorge Jesus.
O selecionador explicou que, embora tenham características técnicas diferentes, os dois jogadores podem ocupar a mesma posição e oferecer soluções distintas à equipa.
«Não são dois jogadores com características técnicas iguais, mas sim posicionais. Podem desempenhar muito bem aquela posição», afirmou.
A convocatória contempla ainda o regresso de António Silva e Geovany Quenda, numa lista que procura conjugar experiência, juventude e diferentes soluções para os próximos compromissos.
Portugal já garantiu presença nos quartos de final
Jorge Jesus aproveitou também para recordar que Portugal já assegurou a qualificação para os quartos de final da Liga das Nações, depois de vencer os primeiros quatro encontros da fase de grupos.
O selecionador destacou o desempenho da equipa, sublinhando que Portugal e Espanha eram, à data da conferência, as únicas seleções com o apuramento garantido.
«A verdade é que, nestes quatro jogos, Portugal garantiu o apuramento para os quartos de final», recordou.
Ainda assim, o treinador alertou para a importância dos dois encontros que faltam disputar, tendo em conta a situação disciplinar de sete jogadores, que estão em risco de suspensão caso voltem a receber um cartão amarelo.
A decisão de convocar 28 jogadores está também relacionada com essa circunstância e com a necessidade de gerir as opções disponíveis para os dois jogos.
Pedro Proença agradece percurso do «eterno capitão»
Antes da divulgação da convocatória, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, deixou uma mensagem de reconhecimento a Cristiano Ronaldo, destacando o percurso histórico do internacional português ao serviço da seleção.
O dirigente classificou o avançado como «o melhor jogador da história do futebol português» e recordou os números extraordinários da sua carreira internacional: 234 internacionalizações e 146 golos.
«Foi a maior bandeira de Portugal no mundo nas últimas duas décadas», afirmou Pedro Proença, destacando a liderança, a dedicação e a capacidade de inspirar várias gerações de jogadores.
O presidente da FPF garantiu ainda que a Federação fará tudo para homenagear o legado deixado pelo antigo capitão.
«Nunca haverá uma homenagem que chegue para agradecer tudo o que fez pelo futebol português, por Portugal. Tudo faremos para homenagear o legado que nos deixa», declarou.
A mensagem terminou com um agradecimento especial ao jogador: «Obrigado por tudo, capitão. Esta é e será sempre a tua casa. Porque Cristiano Ronaldo é mais do que um jogo. Um símbolo, o nosso maior símbolo. O nosso eterno capitão».
Os 28 convocados de Jorge Jesus
Guarda-redes: Diogo Costa, Rui Silva e Samuel Soares.
Defesas: Diogo Dalot, Alberto Costa, Rúben Dias, Tomás Araújo, Renato Veiga, António Silva, João Cancelo e Nuno Tavares.
Médios: João Palhinha, Rúben Neves, Mateus Fernandes, Vitinha, João Neves e Bernardo Silva.
Avançados: Pedro Neto, Francisco Trincão, Carlos Forbes, Rafael Leão, Geovany Quenda, Bruno Fernandes, João Félix, Rodrigo Mora, Gonçalo Ramos, Gustavo Varela e Fábio Silva.
A Seleção Nacional prepara-se, assim, para disputar os dois últimos encontros da fase de grupos da Liga das Nações, já com a qualificação assegurada, mas perante uma nova realidade: a ausência de Cristiano Ronaldo, o jogador que durante quase duas décadas foi a principal referência e o rosto da equipa das quinas.































