Diretora-Geral de Saúde, Graça Freitas, fez o habitual briefing sobre o novo coronavírus chinês, que já causou mais de 600 mortes. Em Portugal, não há registo de nenhum caso e os portugueses que estão em isolamento profilático continuam bem, assim como os que estão no cruzeiro no Japão.

Os 20 cidadãos portugueses que foram repatriados de Whuan, na China, continuam bem de saúde e sem sintomas de infeção do novo coronavírus chinês. “Continuam todos estáveis, todos sudáveis, assintomáticos, estão todos a evoluir bem”, disse Graça Freitas, em conferência de imprensa marcada para as 17h desta sexta-feira. 

“Fizemos tudo para que tivessem em conforto. Dentro do que é possível, estão em conforto”, reforçou. 

Quanto aos portugueses que se encontram num cruzeiro em quarentena, também estão sem sintomas e com testes negativos para o vírus. 

Ainda os quatro suspeitos que foram investigados, “foram negativos e seguiram a sua vida”. Há ainda um grupo de seis cidadãos, que esteve em formação na empresa alemã onde foram infectadas várias pessoas, “estão em vigilância”, mas também estes continuam sem sintomas. 

Questionada sobre o médico de 34 anos, o primeiro na China a denunciar a existência do novo coronavírus, a responsável sublinhou  não saber em que altura é que este clínico foi infetado, se foi antes de saber da existência da doença, quando deu o alerta ou até depois, caso tenha continuado a exercer a profissão. 

“Os médicos notificaram uma situação anómala, este foi o primeiro médico a reparar que alguma coisa e estava a passar de forma diferente. Não sabemos, não temos essa informação da China em que etapa de toda esta epidemia ele se infectou”, reparou Graça Freitas, sublinhando que a comunidade científica vai ter acesso a essa informação. “É óbvio que sim”. 

Confiança nas autoridades chinesas? “Plenamente”

Questionada sobre se mantém a confiança nas autoridades chinesas nesta fase, a diretora-geral da Saúde foi perentória. “Plenamente”, respondeu, acrescentando que “não há nenhum motivo para não confiar nas autoridades chinesas”.

“E a primeira coisa que quero dizer é que as autoridades chineses tomaram voluntariamente a decisão de por 50 milhões de pessoas sobre quarentena. Mais transparente do que isto é impossível”, defendeu, sinalizando que este país “tem permito que haja filmes, permitido entrevistas, dado imagens, fornecem relatórios periódicos”. Além disso, acrescentou, estão organizações internacionais, nomeadamente a Organização Mundial de Saúde (OMS).”Mais transparência parece-me impossível”, opinou.

“Se me perguntar se estes doentes podem corresponder à ponta do icebergue porque são os que têm os sintomas mais graves, e mais abaixo estarão outros quase assintomáticos ou sintomas mais ligeiros, ai poderá. É sempre assim”, explicou Graça Freitas, dando o exemplo do que acontece com a gripe em Portugal. “Na gripe só contabilizamos os casos que se manifestam mais doentes e que são notificados. Muita gente acaba por ter gripe sazonal sem recorrer ao médico. Isto pode acontecer mas não é por falta de transparência”, justificou. 

No entender de Graça Freitas, “temos de estar até, de certa forma, gratos pelas medidas de contenção que a China tem tomado”, porque “não é fácil meter sobre quarentena 50 milhões de pessoas”. 

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