Cerca de 320 crianças do pré-escolar de Arcos de Valdevez construíram chapéus com hélices no âmbito de um projeto pedagógico que visou explicar, de forma “divertida”, ser necessário cumprir o distanciamento social motivado pela pandemia, explicou hoje a câmara.

De uma forma divertida, lúdica e didática, as crianças perceberam que, num momento em que o desconfinamento está a acontecer, o distanciamento social tem de continuar a existir. Não entre eles, nem pouco mais ou menos, mas entre as pessoas. Perceberem porque não podem visitar e dar um abraço aos avós, se não coabitarem diariamente com eles, por que razão, na rua, as pessoas que estão nas filas, têm de estar a uma distância segura“, afirmou hoje à agência Lusa a vereadora da Educação da Câmara de Arcos de Valdevez.

Contactada a propósito da polémica gerada numa publicação na página oficial do município no Facebook sobre aquela atividade, acompanhada de fotografias das crianças com os chapéus com hélices, Emília Cerdeira explicou que “a ação foi desenvolvida pelo Exploratório de Coimbra, um clube de ciência viva que é também responsável pelos conteúdos das nossas oficinais de criatividade Himalaia, e que no caso pretendeu assinalar o Dia Mundial da Criança que, este ano, coincidiu com o regresso das crianças à escola“.

A autarquia investiu cerca de 1.500 euros no material para que as crianças “construíssem o seu próprio chapéu, em contexto de sala de aula, com o apoio das educadoras, que acharam a ideia excelente e colaboraram no projeto“.

Ao construírem os seus próprios chapéus, com a ajuda das educadoras, as crianças perceberam, de uma forma visual, qual é a distância segura a que devem estar as pessoas umas das outras”, especificou.

Emília Cerdeira acrescentou que “todos os anos as crianças levam para casa uma recordação do Dia Mundial da Crianças, oferecida pela câmara e, este ano, não foi exceção”.

O chapéu com hélices não é para usar na escola. Foi levado para casa, até para explicarem aos pais, tal como já aconteceu com outras temáticas como a reciclagem, a separação do lixo e ou a poupança da água, o porquê do afastamento social“, sublinhou.

Para a vereadora da Educação o projeto cumpriu o objetivo para o qual foi concebido, levando que as crianças a “perceberem o lado positivo, daí os chapéus terem sido decorados com corações, estrelinhas e nuvens, e associaram o distanciamento social, fora da sala de aula, a uma regra que é necessária, mas que, se tudo correr bem, e toda a gente cumprir as normas, dentro de pouco tempo tudo vai ser colorido, tudo vai ser um arco-íris e tudo vai correr bem”.

Sobre as críticas que a iniciativa recolheu na página oficial do município nas redes sociais disse: “Inicialmente não estava a conseguir perceber, mas depois, fazendo uma leitura mais profunda, acho que as pessoas ficaram com a sensação de que as crianças tiveram de usar o chapéu todo o dia, porque há fotografias dentro da sala de aula, com os chapéus. Isso não aconteceu”, referiu

responsável reforçou que os chapéus com hélices foram levados para casa “como lembrança do Dia Mundial da Crianças”. O material utilizado na sua confeção, o polipropileno, “pode ser reutilizado”.

“Se as crianças quiserem desmontar os chapéus, podem utilizar o material na construção de outros brinquedos”, referiu.