Mário Ferreira, empresário e ainda acionista maioritário do Vitória de Guimarães, rejeitou, em 2019, vender o capital que detém na SAD que compete na I Liga de futebol à empresa Leader Constellation,

O ainda acionista maioritário do Vitória de Guimarães, Mário Ferreira, rejeitou, em 2019, vender o capital que detém na SAD que compete na I Liga de futebol à empresa Leader Constellation, por 8,1 milhões de euros.

Adiantada na terça-feira pelo semanário Desportivo de Guimarães, a informação foi esta quarta-feira confirmada pela agência Lusa no processo referente à ação judicial do ex-presidente do conselho de administração da SAD, Júlio Mendes, e de um dos antigos administradores, Armando Marques, contra a Mário Andrade Ferreira – Sociedade de Investimentos (MAF), reivindicando o pagamento de 2,7 milhões de euros por causa dessa recusa.

Sediada em Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos, com capital social de três mil euros, a Leader Constellation realizou, em 30 de abril de 2019, uma proposta de aquisição do capital detido pela MAF (56,84% da SAD), prometendo um Vitória de Guimarães a “competir por uma classificação entre os primeiros lugares” da I Liga e a “garantir anualmente o acesso às competições europeias”, além de se “desenvolver a academia”, indica o processo.

A MAF rejeitou a proposta em 21 de maio, tendo salientado a ausência de “um plano de investimento” que assegurasse o “crescimento futuro” da Vitória SAD e considerado inaceitável o “pagamento diferido” das ações, em cinco tranches: uma de 300 mil euros, outra de um milhão, duas de 2,3 milhões e uma última de 2,2 milhões, com um prazo de até 270 dias após assinado o contrato de compra e venda.

Júlio Mendes demitiu-se da presidência do clube e do conselho de administração da SAD seis dias após a nega de Mário Ferreira, em 27 de maio, tendo justificado a decisão com a falta de abertura dos sócios vitorianos a “investimento externo”.

Na ação contra a MAF, interposta no Juízo Central Cível de Braga, em setembro de 2020, o ex-presidente e um dos ex-vices do Vitória exigem 2,7 milhões de euros, invocando um acordo parassocial de 8 de dezembro de 2016, em que a MAF se “obrigou a aceitar qualquer proposta de aquisição das 511.533 ações de que é proprietária“, desde que “excedesse o valor de oito milhões de euros”.

O empresário luso radicado na África do Sul concedeu ainda aos administradores Júlio Mendes, Armando Marques e Luís Teixeira, representante da MAF na SAD vitoriana até 2019, o “direito de preferência numa futura venda das ações” e a distribuição das “mais-valias com a venda”, por “cada um dos outorgantes do acordo”, em “igual proporção de 25%”, lê-se no processo.

Os ex-dirigentes reivindicam um milhão de euros cada um em mais-valias da venda não concretizada, com Júlio Mendes a exigir ainda um “prémio de desempenho” de 700 mil euros, relacionado com o facto de a proposta de 8,1 milhões de euros superar o valor do capital da MAF na SAD (2,56 milhões).

Na contestação junta ao processo, a MAF rejeita o “incumprimento contratual” que lhe é apontado, frisando que o “acordo parassocial” não foi aprovado em assembleia-geral da SAD e viola o artigo 399.º Código das Sociedades Comerciais, referente aos conselhos de administração de sociedades anónimas, sendo “nulo”.

A contestação indica ainda que a MAF aceitou o acordo parassocial para “evitar a instabilidade e a disrupção que resultaria da queda” da então direção do Vitória, após Júlio Mendes ter dito que “não continuava o seu trabalho de recuperação da sociedade”, sabendo que “não ganhava nada com isso”.

A empresa de Mário Ferreira reitera ainda que a proposta da Leader Constellation foi “arquitetada em conluio com os autores [Júlio Mendes e Armando Marques]” e alega que o valor está abaixo dos oito milhões de euros, face à desvalorização do valor do dinheiro à medida que um pagamento é adiado: a pedido da MAF, a consultora Mazars calculou que o valor situa-se entre 7,91 e 7,97 milhões.

Após ter rejeitado a proposta da Leader Constellation, a MAF decidiu vender a totalidade das ações ao Vitória de Guimarães por 6,5 milhões de euros, em três tranches até 31 de março de 2022, num acordo oficializado no passado dia 1 de outubro, que vai dar a maioria da SAD ao clube minhoto.

O semanário Desportivo de Guimarães também adiantou, na terça-feira, que o Vitória vai participar no processo que decorre em tribunal, mas o clube, contactado pela Lusa, não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.1