Dívida em Portugal recua para 887,6 mil milhões, mas particulares atingem maior subida de sempre

Endividamento do setor não financeiro caiu 5,9 mil milhões de euros em julho, sobretudo devido à redução da dívida pública. Nas famílias, o endividamento aumentou 10% num ano.

O endividamento do setor não financeiro em Portugal diminuiu 5,9 mil milhões de euros em julho, para 887,6 mil milhões de euros, segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal.

A redução mensal foi sobretudo explicada pela evolução do setor público, que inclui as administrações públicas e as empresas públicas.

Dívida pública recua 8,3 mil milhões

O endividamento do setor público caiu 8,3 mil milhões de euros face a junho, fixando-se nos 386 mil milhões de euros.

De acordo com o Banco de Portugal, esta diminuição resultou principalmente do reembolso de títulos de dívida pública de longo prazo, com destaque para uma Obrigação do Tesouro no valor de 9,3 mil milhões de euros.

Esta redução foi parcialmente compensada pelo aumento das aplicações dos particulares em certificados de aforro e certificados do Tesouro.

Setor privado aumenta endividamento

Em sentido contrário, o endividamento do setor privado, que engloba empresas e particulares, aumentou 2,4 mil milhões de euros em julho, atingindo 501,5 mil milhões de euros.

Entre os particulares, o endividamento cresceu 1,6 mil milhões de euros, sobretudo perante o setor financeiro.

O crédito à habitação foi o principal responsável por esta evolução, contribuindo com um aumento de 1,2 mil milhões de euros.

Já o endividamento das empresas privadas aumentou 800 milhões de euros durante o mês.

Famílias com subida anual de 10%

Apesar da redução global do endividamento do setor não financeiro, os dados do Banco de Portugal revelam uma evolução particularmente significativa no caso dos particulares.

Em termos homólogos, o endividamento das famílias aumentou 10% face a julho de 2025, correspondendo à maior subida anual desde o início da série estatística, em dezembro de 2008.

Também nas empresas privadas se registou um aumento anual do endividamento, de 4,4%, mais 0,7 pontos percentuais do que o crescimento observado em junho.

Os dados mostram assim comportamentos distintos entre os diferentes setores: enquanto a dívida pública registou uma redução expressiva em julho devido ao reembolso de dívida, particulares e empresas aumentaram o seu nível de endividamento.

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