Presidenciais: Nenhum partido defende adiamento das eleições, diz Marcelo

Os sete candidatos à presidência da República enfrentaram-se esta terça-feira, na RTP, naquele que foi o último debate antes das eleições de dia 24. Marcelo Rebelo de Sousa, que participou por videoconferência após um dos testes à covid-19 que realizou ter dado positivo, deixou a garantia: nenhum partido defende o adiamento do ato eleitoral e “não há condições” para o adiar.

“Não houve nenhum partido que tivesse defendido a ideia de uma revisão constitucional e, portanto, uma necessidade de adiamento” das presidenciais, revelou Marcelo – que, enquanto presidente, ouviu as forças políticas sobre o tema.

André Ventura, apoiado pelo Chega, recordou que a lei impede que se altere a Constituição durante o estado de emergência, argumentando também que o Governo “não preparou devidamente” a ida às urnas.

Ana Gomes, apoiada pelo PAN, também não exige o reagendamento: “Não desejo adiar as eleições, mas ele deveria ser ponderado e não me oporia”, referiu. Para João Ferreira, apoiado pelo PCP, deve combinar-se o combate a “alarmismos” com a exigência de medidas de segurança sanitária para a ida às urnas.

Marisa Matias, que tem o apoio do BE, referiu ser “obrigação” do Governo criar condições para haver eleições. “A vida e a democracia continuam”, ainda que “com muitas limitações”, disse.

Tiago Mayan, da IL, argumentou que o Executivo trouxe o país “a um ponto de não retorno” nesta matéria e Vitorino Silva, apoiado pelo RIR, disse que teria “vergonha” de tomar posse após umas eleições com mais de 50% de abstenção.

Saúde divide candidatos

Os candidatos abordaram também as respetivas visões em matéria de saúde. João Ferreira disse que, desde o início da pandemia, os privados têm tido as “portas fechadas” sempre que não há “perspetiva de lucro”.

Marisa defendeu que, se havia “alguma dúvida sobre o papel do SNS, ela ficou desfeita”. Para a candidata, há que reforçar o SNS e acabar com o “mito para incautos” que é acenar com o perigo de altos custos no setor.

Ana Gomes criticou a visão “neoliberal” na saúde, lembrando que a Alemanha gasta 9% do PIB no setor e Portugal apenas 6%. Acusando Marcelo de “dar a mão” aos privados, defendeu a requisição deste setor, paga a um “custo justo”.

À Direita, André Ventura considerou “irrealista” que o Estado coloque quase 10% do PIB “num único setor”, pedindo um “equilíbrio” entre público e privado na saúde e acusando a Esquerda de negar essa via por “preconceito ideológico”.

Também Tiago Mayan falou em “preconceito” da Esquerda. Advogando a “liberdade de escolha”, disse que PS, BE e PCP têm o “sonho” de acabar com os privados na saúde. Vitorino Silva não prefere nem o público nem o privado, mas sim “ser salvo” em caso de doença.

Face às várias críticas, Marcelo esclareceu que o SNS é “insubstituível” e que o próximo Orçamento do Estado “tem de investir mais” no setor, que a pandemia “prejudicou”. O recandidato defendeu a coexistência de setores, já que o público é “crucial”, o social “cumpre uma missão” e o privado “tem o seu espaço específico, resumiu”.

Frases

Marcelo Rebelo de Sousa: “O sistema, para não ficar coxo, precisa de uma Direita e de uma Esquerda fortes. É importante que exista uma área de oposição forte e uma área de governação forte. O presidente da República é o ponto de equilíbrio”

Ana Gomes: “Critico Marcelo Rebelo de Sousa por não ter incentivado uma ‘geringonça 2’. Se for reeleito, trabalhará para trazer de volta a sua Direita, a Direita neoliberal. O presidente não deve dar estabilidade ao nefasto bloco central de interesses”.

Marisa Matias: “A parceria entre Governo e Marcelo criou bloqueios na saúde, no combate à precariedade ou na relação com a banca. A relação do presidente com o Governo manteve esses bloqueios”

João Ferreira: “[Esta terça-feira], em Matosinhos, centenas de trabalhadores desfilaram pela proteção dos seus postos de trabalho. Mereciam uma palavra do presidente. Os afetos de Marcelo são como a riqueza do país: existem, mas estão muito mal distribuídos”

André Ventura: “Quem veio salvar Mário Centeno não foi António Costa, foi Marcelo Rebelo de Sousa. O mesmo que disse que o Governo fez o que pôde na saúde. É o candidato do PS e do Governo socialista”

Tiago Mayan: “Marcelo Rebelo de Sousa decidiu, por busca de popularidade, estar ao lado do Governo. Entre ele e António Costa, já não se sabe onde começa um e acaba o outro”

Vitorino Silva: “Nunca vi políticos a lutar pela culpa. Marcelo a dizer ‘eu é que tinha a culpa’ ou Costa a dizer ‘eu é que tinha a culpa’. Estavam mesmo ali em sintonia”

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