Líder dos Super Dragões vai continuar detido na cadeia anexa à PJ do Porto. Tribunal considerou-o culpado por envolvimento nos distúrbios na Assembleia Geral do FC Porto.
Fernando Madureira, conhecido como ‘Macaco’, foi condenado esta quarta-feira a três anos e nove meses de prisão efetiva no âmbito da Operação Pretoriano. O líder da claque Super Dragões vai continuar detido na cadeia anexa à Polícia Judiciária do Porto, onde já se encontrava em prisão preventiva.
A leitura do acórdão decorreu no Tribunal Criminal de São João Novo, no Porto, e envolveu 12 arguidos, incluindo Fernando Madureira e a sua esposa, Sandra Madureira, ambos ex-dirigentes da claque afeta ao FC Porto.
O processo está relacionado com os incidentes ocorridos durante a Assembleia Geral do clube, realizada em novembro de 2023, onde, segundo a acusação do Ministério Público (MP), se tentou instaurar um clima de intimidação e medo com o objetivo de influenciar a votação da proposta de revisão dos estatutos — proposta essa do interesse da direção liderada, à data, por Jorge Nuno Pinto da Costa.
Durante as alegações finais, a procuradora Susana Catarino pediu penas superiores a cinco anos para seis arguidos, entre os quais Fernando e Sandra Madureira, apontados como principais responsáveis pela organização dos distúrbios. Para os restantes seis, o MP defendeu penas suspensas.
As defesas contestaram veementemente a acusação, pedindo a absolvição dos seus constituintes e criticando o MP por, alegadamente, não procurar a verdade dos factos.
O tribunal acabou por considerar sólida a prova recolhida — documental, testemunhal e pericial — e levou os 12 arguidos a julgamento nos termos exatos da acusação. No total, estão em causa 19 crimes de coação e ameaça agravada, sete de ofensa à integridade física no contexto de espetáculo desportivo, um de instigação pública à prática de crime, um de arremesso de objetos ou líquidos, e três de atentado à liberdade de informação.
Entre os arguidos encontram-se também Vítor ‘Catão’, Hugo ‘Polaco’, Vítor ‘Aleixo’ e o filho deste, todos com ligações ao universo “azul e branco”. Fernando Madureira foi o único a permanecer em prisão preventiva ao longo do julgamento, iniciado em março. Os restantes foram sendo libertados durante as várias fases do processo.
O caso ganha maior relevo no contexto recente da vida interna do FC Porto, após a derrota de Pinto da Costa nas eleições de abril de 2024, marcando o fim de uma presidência de 42 anos e a ascensão de André Villas-Boas à liderança do clube.