Fernando Alexandre admite estender a restrição do uso de telemóveis a todos os níveis de ensino, caso os resultados da medida atual sejam positivos. Governo prepara também uma estratégia nacional para a integração da inteligência artificial na educação.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu esta terça-feira, durante a Web Summit, em Lisboa, que a proibição de telemóveis nas escolas poderá ser alargada a todos os níveis de ensino já no próximo ano letivo.
A medida, que recomenda desde o início deste ano letivo a proibição de telemóveis com ligação à internet para alunos até ao 6.º ano, tem, segundo o governante, produzido resultados positivos.
Em declarações à Rádio Renascença, Fernando Alexandre afirmou que “já há escolas a proibir o uso destes dispositivos até ao 9.º ano de escolaridade”, sublinhando que a decisão sobre um eventual alargamento da medida será tomada com base na avaliação dos resultados obtidos.
“Gostamos de basear as nossas políticas em estudos, vamos ver o que acontece”, declarou o ministro.
A proibição do uso de telemóveis no contexto escolar tem como objetivo reduzir a distração em sala de aula, promover a socialização entre alunos e melhorar o ambiente educativo, numa tendência já seguida por vários países europeus.
Governo prepara estratégia nacional para a inteligência artificial na educação
Paralelamente, Fernando Alexandre revelou que o Governo está a desenvolver uma estratégia nacional para a introdução da inteligência artificial (IA) na educação, que deverá ser apresentada no primeiro semestre de 2026.
Segundo o ministro, o plano prevê integrar ferramentas de IA em todos os níveis de ensino — do básico ao superior — com o objetivo de melhorar os métodos de ensino e aprendizagem.
“Temos de introduzir a inteligência artificial em todos os níveis de ensino (…). Será um instrumento que teremos de saber utilizar para tirar partido de todo o potencial e das capacidades que a inteligência artificial oferece aos utilizadores”, referiu.
Contudo, Fernando Alexandre salientou que a implementação desta estratégia exigirá mudanças estruturais no sistema educativo, nomeadamente na formação e renovação do corpo docente.
“Teremos muitos professores a deixar o sistema, o que significa que teremos de contratar muitos novos docentes. E, claro, isso será uma oportunidade”, afirmou, lembrando que cerca de 60% dos professores têm atualmente mais de 50 anos.

































