Almoço juntou quase 300 apoiantes
O candidato presidencial André Ventura afirmou este sábado, em Ponte de Lima, que serão os emigrantes portugueses a garantir-lhe a vitória na segunda volta das eleições presidenciais, num discurso marcado por críticas às minorias e pela defesa de que os portugueses devem ser respeitados “em primeiro lugar”.
“Serão os emigrantes portugueses a dar-nos a vitória na segunda volta das eleições em Portugal”, disse o também presidente do Chega, no final de um almoço que reuniu cerca de 300 apoiantes, no distrito de Viana do Castelo.
No dia em que assinalou o seu aniversário, André Ventura voltou a defender que o sistema político “tem medo” do voto dos portugueses residentes no estrangeiro, acusando-o de dificultar a sua participação eleitoral. Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), a lei não permite o voto por correspondência nas eleições presidenciais, sendo o voto possível apenas de forma presencial, nomeadamente nos consulados. Ainda assim, Ventura considerou que os emigrantes são tratados como “cidadãos de segunda”.
“Provavelmente não há nenhum português que se tenha ido embora para França, Luxemburgo ou Suíça porque correu bem cá. Foram-se embora porque os dois partidos que governaram os traíram”, afirmou, acrescentando que obrigar deslocações de centenas ou milhares de quilómetros para votar equivale, na prática, a “tirar-lhes o direito de voto”.
Apesar disso, destacou que muitos emigrantes se estão a organizar em caravanas para conseguirem votar no próximo domingo. “É incrível como um país consegue acordar desta maneira”, disse.
No mesmo discurso, André Ventura criticou o que considera ser um tratamento privilegiado dado a imigrantes, referindo cidadãos oriundos “da Índia, do Paquistão ou de outro sítio qualquer”, afirmando que são tratados como “cidadãos de primeira”, apesar de apenas cidadãos com nacionalidade portuguesa poderem votar nas presidenciais.
“Nós não somos contra ninguém, mas vamos garantir que em Portugal se respeitam os portugueses em primeiro lugar e a comunidade portuguesa em primeiro lugar”, sublinhou.
O candidato voltou também a atacar associações que promovem a igualdade de género e combatem a discriminação da comunidade LGBT, referindo-se a estas como associações da chamada “ideologia de género”. “Vamos cortar-lhes todos os cêntimos que tiverem para receber”, afirmou.
Ventura disse querer ser lembrado como o Presidente que “acabou com os privilégios injustificados de todas as minorias” e que os transferiu para as “famílias portuguesas”, trabalhadores, pensionistas e antigos combatentes, ignorando novamente que o poder executivo cabe ao Governo.
Durante o almoço, foram cantados os parabéns ao candidato, que recebeu uma prenda do mandatário distrital e soprou as velas de um bolo onde se lia: “Parabéns, Presidente. O Alto Minho vota André Ventura”.
“43 anos parece-me uma ótima idade para ser Presidente”, afirmou, antes de se sentar à mesa. Questionado sobre desejos de aniversário, respondeu que era “segredo”, com o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, a acrescentar: “Dia 18 de janeiro em primeiro”.
A cerimónia foi inaugurada com um discurso de Eduardo Teixeira, deputado do Chega e vereador na Câmara de Viana do Castelo, que destacou o simbolismo do local onde decorreu o almoço, uma quinta que descreveu como a sua “segunda casa”.































