PJ apreende “elementos relevantes” em buscas à cela de Mário Machado

Operação contra grupo neonazi resultou em 37 detidos e 15 arguidos

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou esta terça-feira a apreensão de “elementos relevantes para a investigação” durante buscas realizadas à cela de Mário Machado, líder do grupo neonazi Grupo 1143, no âmbito da operação “Irmandade”, que levou ao desmantelamento daquela organização criminosa de extrema-direita.

Em conferência de imprensa, na sede da PJ, a diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT), Patrícia Silveira, confirmou as diligências realizadas na cela de Mário Machado, adiantando que o material apreendido será agora analisado no âmbito das ações em curso, sem especificar a sua natureza.

A operação resultou na detenção de 37 pessoas e na constituição de 15 suspeitos como arguidos. Estão em causa crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, associação criminosa, ameaças e ofensas à integridade física qualificadas, bem como financiamento de associação criminosa.

Entre os detidos encontram-se um elemento da Polícia de Segurança Pública (PSP) e um militar, segundo fontes policiais ligadas à investigação. Os suspeitos, com idades entre os 30 e os 54 anos, são oriundos de vários pontos do território continental e “adotavam e difundiam a ideologia nazi, associada à extrema-direita radical e violenta”, atuando com motivações racistas e xenófobas, com o objetivo de intimidar e coagir minorias étnicas, nomeadamente imigrantes.

De acordo com Patrícia Silveira, o Grupo 1143 apresentava uma estrutura hierárquica organizada, com funções distribuídas entre financiamento, logística e organização de eventos e encontros. O financiamento da associação era assegurado, sobretudo, através da venda de merchandising e de material produzido pelos próprios membros e simpatizantes.

A diretora da UNCT esclareceu ainda que, apesar de não existir uma ação criminosa concreta iminente, havia intenção de praticar atos criminosos.

Também presente na conferência de imprensa, o diretor nacional da PJ, Luís Neves, revelou que o grupo mantinha ligações internacionais com organizações congéneres de vários países europeus, permitindo a circulação de membros entre territórios. Acrescentou ainda que os crimes de incitamento ao ódio em Portugal aumentaram significativamente, passando de nove registos em 2019 para 67 em 2025.

No âmbito da operação, iniciada em fevereiro de 2024 na sequência de uma denúncia, foram realizadas 67 buscas domiciliárias e não domiciliárias de norte a sul do país, sobretudo no litoral. As autoridades apreenderam armas de fogo, armas brancas, material ilegal e diversos objetos alusivos à ideologia neonazi.

Mário Machado encontra-se preso desde maio de 2025 pelos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, continuando, segundo a PJ, a dar orientações à organização a partir do estabelecimento prisional. Luís Neves admitiu que o recluso poderá ser transferido para outra prisão, caso tal se revele necessário.

Na operação participaram cerca de 300 inspetores da Polícia Judiciária. Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial na quarta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para aplicação das respetivas medidas de coação.