Thierry Neuville foi o mais rápido no ‘shakedown’, mas o verdadeiro espetáculo voltou a estar nas bancadas, nos fãs e na paixão única dos portugueses pelos ralis
O arranque do Rali de Portugal voltou esta quarta-feira a transformar Baltar numa verdadeira festa do automobilismo, com milhares de adeptos a encherem o autódromo de Paredes para assistir ao tradicional ‘shakedown’ da prova portuguesa do Mundial de Ralis.
Entre famílias inteiras, grupos de amigos, campistas experientes e novos apaixonados pela modalidade, viveu-se um ambiente de romaria em redor dos motores, da velocidade e da emoção que há décadas fazem do rali uma das modalidades mais acarinhadas pelos portugueses.
Dentro de pista, o mais rápido foi Thierry Neuville. O campeão do mundo de 2024, ao volante de um Hyundai i20, completou os 5,72 quilómetros do percurso em 3.51,2 minutos, batendo por apenas três décimos o finlandês Sami Pajari, em Toyota Yaris.
Logo atrás terminaram Adrien Fourmaux, também em Hyundai i20, o letão Martins Sesks, em Ford Puma, e o líder do Campeonato do Mundo, o galês Elfyn Evans.
Mas, mais do que os tempos cronometrados, o dia ficou marcado pela enorme moldura humana em Baltar. Nas bancadas e zonas ajardinadas multiplicavam-se cadeiras de campismo, mesas desmontáveis, geleiras e churrascos improvisados, numa tradição que transforma o Rali de Portugal muito mais do que uma simples competição desportiva.
Vindos de vários pontos do país — e até do estrangeiro — os fãs partilharam histórias, memórias e a paixão pela modalidade.
Foi o caso de Cátia Barbosa, de Gondomar, que levou as filhas Vanessa Mendes e Sofia Santos ao ‘shakedown’, numa tentativa de lhes transmitir o amor pelos ralis.
“Quero-lhes passar este bichinho”, contou a adepta, explicando que acompanha provas desde 2012 e que o ambiente mais controlado de Baltar é ideal para iniciar os mais novos na modalidade.
A filha Vanessa, de 16 anos, admite que a paixão nasceu desde cedo.
“Cresci com isto. Quando era pequenina, ia a concentrações. Depois comecei a ir à Exponor e a perceber quem eram os pilotos. A paixão foi crescendo.”
Entre os milhares de adeptos presentes encontrava-se também João Oliveira, conhecido como “Aparício”, um veterano dos ralis oriundo de Braga, que acompanha a prova há mais de quatro décadas.
Aos 62 anos, contabiliza perto de 500 ralis assistidos em Portugal e no estrangeiro, mantendo intacta a admiração pelo lendário Colin McRae.
“Na dúvida, não travava. Acelerava. Era fora do normal”, recordou, apontando o escocês como o piloto mais marcante que viu competir.
João organizou ainda toda a logística para um grupo de 15 pessoas oriundas de várias regiões portuguesas e da Catalunha, que irão acompanhar as classificativas entre o centro e norte do país.
O ambiente internacional também se fez sentir em Baltar, com adeptos finlandeses a viajarem até Portugal para acompanhar a prova. Entre eles, Toni Kekkonen e Ossi Lammela, vindos de Turku, na Finlândia, destacaram a expectativa de viver o ambiente único do rali português.
“Muito barulho, carros velozes e um tempo entretido”, resumiu Toni, apontando Sami Pajari como favorito pessoal.
O Rali de Portugal decorre entre quinta-feira e domingo, ao longo de 344,91 quilómetros cronometrados, atravessando várias regiões entre Águeda e Fafe, numa edição que volta a prometer milhares de espectadores nas classificativas do centro e norte do país.
































