A noite de 27 de junho provou que as guitarras continuam vivas no Parque Tejo. O lendário britânico de 81 anos espantou os fantasmas de cancelamentos, a diva pop de 73 anos deu uma lição de comunidade e a maior banda do rock nacional atraiu uma multidão intergeracional que tornou o palco secundário pequeno demais.
Para quem defendia que o festival tinha perdido a sua matriz fundadora, o penúltimo dia da edição de 2026 do Rock in Rio Lisboa foi uma resposta categórica em forma de riffs e refrões cantados em uníssono. Entre a nostalgia pop-rock internacional no Palco Mundo e a autêntica romaria ao palco secundário, a música de guitarras mostrou que continua a atravessar gerações.
Rod Stewart afasta receios num desfiar de clássicos
Aos 81 anos, Sir Rod Stewart subiu ao Palco Mundo sob o olhar atento e algum receio dos fãs, depois de ter cancelado recentemente um espetáculo nos Estados Unidos por motivos de saúde. Contudo, as dúvidas dissiparam-se logo nos primeiros acordes. Com a sua caraterística voz rouca e as poses icónicas que definiram a sua carreira, o britânico entregou uma atuação enérgica e generosa com mais de uma hora de duração.
Acompanhado por uma banda exímia — onde se destacou a prestação da violinista Adrianna Thurber Shaw —, o concerto teve espaço para momentos emotivos e celebrações das suas raízes escocesas, incluindo a introdução de gaitas de foles no palco.
O alinhamento foi uma autêntica viagem no tempo:
- Infatuation
- Having a Party
- It’s a Heartache
- Tonight I’m Yours (Don’t Hurt Me)
- The First Cut Is the Deepest
- I Don’t Want to Talk About It
- Maggie May
- Baby Jane
- Encerramento: Da Ya Think I’m Sexy? e Love Train
Cyndi Lauper: Uma lição de luz e atitude aos 73 anos
Cinco dias após festejar o seu 73.º aniversário, a nova-iorquina Cyndi Lauper provou no Palco Mundo o porquê do seu estatuto de lenda viva. Num concerto que aliou a imortalidade do seu repertório pop a uma forte mensagem cívica e de união, a artista proporcionou um dos momentos mais bonitos da noite ao pedir ao público que ligasse as lanternas dos telemóveis perante o cenário de fundo da Ponte Vasco da Gama.
“Agora olhem à vossa volta. Lembrem-se que são uma comunidade de luz. Por muito escuras que as coisas fiquem, não se esqueçam disso.”
A sua passagem por Lisboa ficou marcada pela energia contagiante e pela interpretação irrepreensível de hinos como Time After Time, True Colors e o épico encerramento com Girls Just Want To Have Fun.

O Music Valley ficou pequeno para os Xutos & Pontapés
Assim que Cyndi Lauper largou o microfone no Palco Mundo, gerou-se uma autêntica corrida em direção ao Music Valley. O palco secundário do festival acabou por se revelar demasiado pequeno para acolher a colossal legião de fãs dos Xutos & Pontapés. Houve quem fizesse guarda às primeiras filas desde o início da tarde, tendo antes assistido às atuações históricas de outros grandes nomes do panorama nacional como os GNR, Jafumega e UHF, além dos norte-americanos 4 Non Blondes.
A banda liderada por Tim transformou o espaço numa autêntica moldura humana onde não houve uma única letra esquecida. A plateia, composta desde veteranos até crianças e jovens, saltou e vibrou ao som dos maiores hinos do rock português:
- Contentores
- Homem do Leme
- Circo de Feras
- À Minha Maneira
- Não Sou o Único
- Para Ti Maria
- A Minha Casinha
A enorme moldura humana e a receção calorosa deixaram claro que o rock em Portugal não só mantém uma saúde de ferro, como continua a renovar o seu público ano após ano. O festival ruma agora para o seu dia de encerramento, este domingo, 28 de junho, com um cartaz totalmente focado nas tendências da música pop e no público mais jovem.
















































