Megoperação em Amarante: Cerca de 250 cães resgatados de canil ilegal que operava na internet

Animais de raça eram criados em condições de extrema precariedade para serem comercializados em plataformas digitais. Esta já é considerada uma das maiores operações de resgate animal alguma vez registada em Portugal.

Uma operação de grande envergadura decorre, desde a manhã desta terça-feira, 23 de junho, numa propriedade localizada em Amarante, no distrito do Porto. No total, cerca de 250 cães de várias raças estão a ser retirados de um cenário de profunda negligência. Os animais eram mantidos no local com o único propósito de servirem para criação e posterior venda ilegal.

O alerta foi dado após a denúncia de um potencial comprador que, chocado com o cenário que encontrou ao tentar adquirir um animal, decidiu abortar o negócio e reportar o caso às autoridades. Contudo, a situação já era do conhecimento da comunidade local e a propriedade já tinha sido alvo de fiscalizações anteriores por parte das autoridades competentes.

Sobrevivência entre dejetos e desnutrição

O cenário encontrado pelas equipas de resgate dividia-se entre o interior e o exterior da propriedade. Dentro da habitação principal encontravam-se cerca de 50 crias recém-nascidas, acomodadas em espaços exíguos. Já na zona exterior, num descampado pertencente à moradia, estavam amontoados mais de 200 cães adultos, que serviam de “matrizes” para garantir a continuidade do negócio.

Os animais, de várias raças de pequeno porte — como Yorkshire Terrier, Cavalier King Charles Spaniel e Buldogue —, apresentavam sinais evidentes de subnutrição e viviam em condições higienossanitárias deploráveis, sendo obrigados a dormir sobre os próprios dejetos. O negócio era alimentado de forma regular através de anúncios publicados em diversas plataformas digitais.

Suspeita identificada e forte aparato no local

Até ao momento, as autoridades identificaram uma mulher, proprietária da habitação, que é apontada como a responsável direta pelo negócio e pelas condições em que os animais subsistiam. No entanto, devido à dimensão sem precedentes deste resgate, os investigadores suspeitam que possam existir mais pessoas envolvidas na manutenção e na logística da atividade ilegal.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) encontra-se no terreno a prestar apoio de segurança à operação, que está a ser formalmente coordenada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). O aparato conta ainda com a intervenção direta de elementos do IRA (Intervenção e Resgate Animal) e de técnicos e veterinários da Câmara Municipal de Amarante.

Os cães estão a ser avaliados e assistidos individualmente por equipas veterinárias no local. Dado o volume extraordinário de animais apreendidos, as autoridades e as associações parceiras encontram-se ainda a articular o destino e o acolhimento temporário dos cerca de 250 cães resgatados.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here