Montenegro lamenta chumbo da reforma laboral: “Tentei até à última hora”

Primeiro-ministro, Luís Montenegro

Primeiro-ministro diz ter feito todos os esforços para alcançar um entendimento parlamentar e garante que o Governo continuará empenhado na modernização das leis laborais.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, lamentou esta sexta-feira o chumbo da proposta de reforma laboral na Assembleia da República, afirmando que procurou até ao último momento viabilizar um acordo que permitisse a aprovação do diploma.

Após a rejeição da iniciativa, Montenegro sublinhou que o Governo demonstrou disponibilidade para dialogar e acolher contributos de diferentes forças políticas, mas reconheceu que não foi possível alcançar o consenso necessário.

“Tentei até à última hora”

O chefe do Governo afirmou que manteve contactos e negociações intensas nas horas que antecederam a votação, procurando garantir condições para que a proposta pudesse seguir para discussão na especialidade.

Segundo Montenegro, o Executivo estava disponível para aperfeiçoar o diploma durante o processo legislativo, mas defendia que a proposta deveria ser aprovada na generalidade para permitir esse trabalho parlamentar.

Negociações com o Chega não chegaram a acordo

As conversações entre o Governo e o Chega prolongaram-se até momentos antes da votação.

O líder do Chega, André Ventura, exigia compromissos concretos em matérias como a redução da idade da reforma, a reposição de dias de férias e o reforço de direitos laborais específicos.

Contudo, o Governo recusou assumir algumas dessas exigências, particularmente a descida da idade legal da reforma, acabando por inviabilizar o entendimento.

Governo defende que proposta beneficiava trabalhadores e empresas

O Executivo sustentava que a reforma tinha como objetivo aumentar a competitividade da economia, promover melhores condições de trabalho e adaptar a legislação laboral aos desafios atuais do mercado de emprego.

Entre as medidas previstas encontravam-se alterações ao regime do banco de horas, mecanismos de flexibilização laboral e novas regras destinadas a reforçar a produtividade e a conciliação entre vida profissional e familiar.

Derrota parlamentar com impacto político

O chumbo da proposta constitui um dos mais significativos reveses parlamentares do atual Governo, evidenciando as dificuldades em construir maiorias para aprovar reformas estruturais.

A iniciativa foi rejeitada com os votos contra do Chega e de todos os partidos da esquerda parlamentar, recebendo apenas o apoio do Partido Social Democrata, do CDS – Partido Popular e da Iniciativa Liberal.

Executivo promete continuar a procurar soluções

Apesar da derrota parlamentar, Luís Montenegro garantiu que o Governo não abandonará os objetivos que motivaram a reforma e continuará a procurar soluções legislativas para responder aos desafios do mercado de trabalho português.

O primeiro-ministro defendeu ainda que o diálogo político permanece essencial para alcançar consensos em matérias estratégicas para o país, deixando em aberto a possibilidade de futuras iniciativas nesta área.

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