Suspeita é hoje presente a primeiro interrogatório judicial e deverá responder por homicídio qualificado e profanação de cadáver
A investigação ao homicídio de Lara, uma criança de oito anos residente em Celeirós, no concelho de Valpaços, aponta para um crime premeditado alegadamente motivado por um sentimento de vingança da madrasta contra o companheiro e pai da vítima.
A mulher, de 48 anos, foi detida pela Polícia Judiciária e será presente esta sexta-feira a primeiro interrogatório judicial, estando indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.
Criança desapareceu à chegada à escola
Segundo a investigação, a suspeita dirigiu-se na manhã de quarta-feira à paragem onde Lara saía habitualmente do autocarro escolar e convenceu a criança a entrar no veículo.
Em vez de seguir para a escola, levou-a para uma zona isolada da Serra da Padrela, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.
De acordo com os elementos recolhidos pela Polícia Judiciária, a menina terá sido morta por asfixia mecânica, embora a causa exata da morte só possa ser confirmada pela autópsia.
Após o homicídio, o corpo foi abandonado numa área remota da serra, tendo sido posteriormente localizado durante uma operação conjunta da Polícia Judiciária e da GNR.
Crime terá sido motivado por conflitos familiares
As autoridades acreditam que o homicídio surgiu na sequência de conflitos familiares que se agravaram nos dias anteriores.
Uma discussão ocorrida durante uma celebração familiar terá intensificado as tensões entre a suspeita e o companheiro. Segundo a investigação, a mulher alegava sentir-se humilhada e maltratada na relação e terá decidido atingir o marido através da filha.
Informações divulgadas pela comunicação social indicam que a suspeita terá confessado aos investigadores que pretendia vingar-se do companheiro, embora alegadamente não tivesse intenção inicial de causar a morte da criança.
Pai deu o alerta para o desaparecimento
O alerta para o desaparecimento foi dado pelo pai da menor quando percebeu que a filha não se encontrava na escola.
Após contactar o motorista do transporte escolar, foi informado de que a criança tinha sido recolhida pela madrasta à saída do autocarro, o que levantou de imediato suspeitas e desencadeou as buscas.
A operação prolongou-se durante várias horas, culminando na localização do corpo da criança já durante a madrugada de quinta-feira.
Investigação revela forte impacto emocional
O diretor da Polícia Judiciária de Vila Real admitiu que a localização do corpo teve um forte impacto emocional nas equipas envolvidas nas buscas.
Embora os investigadores estejam habituados a lidar com crimes graves, a morte de uma criança é sempre um caso particularmente marcante para todos os profissionais envolvidos.
Suspeita conhece hoje medidas de coação
A mulher passou a noite sob custódia das autoridades e será presente ao Tribunal esta sexta-feira para ser interrogada por um juiz de instrução criminal.
Face à gravidade dos factos investigados e aos indícios recolhidos, é expectável que o Ministério Público requeira a aplicação da medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva.
A investigação prossegue agora com a análise dos resultados da autópsia e de outros elementos de prova que permitam esclarecer integralmente as circunstâncias do homicídio que chocou a comunidade de Valpaços e o país.



































