Reunião do Executivo Municipal ficou marcada por acusações de centralização, falta de diálogo e bloqueio de propostas da oposição. João Rodrigues rejeita as críticas e garante que a Câmara está a “resolver problemas que se arrastavam há anos”.
A reunião da Câmara Municipal de Braga desta quinta-feira transformou-se num dos momentos políticos mais tensos do atual mandato, com um forte confronto entre o presidente da autarquia, João Rodrigues, e os vereadores da oposição.
PS, Iniciativa Liberal, Amar e Servir Braga e Chega acusaram o executivo social-democrata de concentrar decisões, ignorar contributos da oposição e bloquear propostas apresentadas por outros partidos. Em resposta, João Rodrigues rejeitou todas as acusações e aproveitou para apontar responsabilidades ao anterior executivo socialista, liderado por Ricardo Rio, por diversos problemas que, segundo afirmou, continuam por resolver.
PS fala em “governo de um homem só”
O momento mais duro da reunião partiu do vereador socialista Artur Feio, que acusou João Rodrigues de estar a transformar a Câmara num “governo de um homem só”.
Segundo o PS, o presidente concentra competências, decide sem diálogo prévio e apenas apresenta os assuntos já fechados aos restantes membros do executivo.
“O senhor presidente não ouve, não dialoga e não constrói soluções em conjunto. Limita-se a informar aquilo que já decidiu”, afirmou Artur Feio.
Os socialistas defenderam que várias propostas apresentadas pelo PS têm sido rejeitadas sem discussão aprofundada, considerando que o funcionamento do executivo se tornou “cada vez mais fechado”.
Iniciativa Liberal denuncia “falta de transparência”
A Iniciativa Liberal alinhou nas críticas, acusando o executivo de falta de transparência e de dificuldade em disponibilizar informação atempada sobre processos municipais.
Os liberais consideram que os vereadores da oposição têm acesso limitado à documentação e que isso prejudica a fiscalização política.
“A transparência não pode ser apenas um slogan. A oposição precisa de ter informação para poder exercer o seu papel”, referiu o vereador da IL.
Amar e Servir Braga critica ausência de diálogo
Também o movimento Amar e Servir Braga acusou o executivo de reduzir o espaço de participação política e de não procurar consensos em matérias relevantes para o concelho.
Segundo os seus representantes, propostas apresentadas pelo movimento têm sido sistematicamente afastadas, mesmo quando dizem respeito a problemas concretos das freguesias.
Chega acusa executivo de bloquear propostas
O vereador do Chega, Filipe Aguiar, afirmou que o executivo PSD/CDS rejeita propostas apenas por serem apresentadas pela oposição.
“O problema não é o conteúdo das propostas. O problema é quem as apresenta”, declarou.
O Chega considerou que existe uma atitude de bloqueio político que impede o aproveitamento de contributos úteis para o concelho.
João Rodrigues responde e aponta ao legado socialista
Perante as críticas, João Rodrigues respondeu de forma contundente, recusando qualquer acusação de autoritarismo ou falta de diálogo.
O presidente afirmou que recebe regularmente juntas de freguesia, associações e vereadores e garantiu que o executivo está focado em resolver problemas concretos.
“Quem nos acusa de falta de diálogo passou oito anos no poder e deixou dossiers fundamentais por resolver”, afirmou.
João Rodrigues apontou exemplos como o alargamento do cemitério de Mire de Tibães, a situação da Rua Pêro Vaz de Caminha, a degradação da Capela do Areal e várias intervenções viárias que, segundo disse, ficaram por executar durante o anterior mandato.
“Estamos a fazer acontecer”
O autarca insistiu que o atual executivo trabalha com projetos concluídos, financiamento assegurado e calendários definidos.
“Não estamos a anunciar intenções. Estamos a lançar concursos, iniciar obras e criar condições para resolver problemas reais”, declarou.
João Rodrigues considerou ainda que a oposição tenta criar uma narrativa de conflito político porque “não consegue contestar o trabalho que está a ser feito no terreno”.
Clima político aquece em Braga
A reunião terminou sem qualquer aproximação entre executivo e oposição, deixando evidente um agravamento do clima político na Câmara de Braga.
As críticas partiram de partidos ideologicamente muito distintos, algo que não passou despercebido nos Paços do Concelho. Ainda assim, João Rodrigues mostrou-se confiante e afirmou que continuará a governar “com foco nas pessoas e não nas polémicas”.
O episódio confirma que, poucos meses após o início do novo mandato, a relação entre o executivo social-democrata e a oposição entrou numa fase de forte confronto político, num momento em que a Câmara prepara investimentos relevantes em mobilidade, habitação, património e espaço público.
































