Líder do PCP critica ministros da Educação e da Administração Interna, admite moção de censura e acusa o Executivo de estar cada vez mais isolado
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, esteve este sábado em Braga, onde lançou duras críticas ao Governo, considerando que o executivo atravessa uma fase de “profunda degradação” e que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, está cada vez mais fragilizado perante a contestação política e social.
Durante uma festa-convívio com militantes comunistas, o líder do PCP afirmou que o chefe do Governo demonstra sinais de preocupação crescente face aos problemas que têm marcado a atual governação.
“O primeiro-ministro está aflito”
Paulo Raimundo apontou o recente debate do Estado da Nação como um exemplo das dificuldades do executivo.
Segundo o dirigente comunista, a intervenção de Luís Montenegro revelou um primeiro-ministro sob pressão e consciente do aumento da contestação às políticas do Governo.
“O senhor primeiro-ministro já percebeu que quanto mais avança a sua política, mais contestação gera e mais isolado fica o Governo”, afirmou.
Educação no centro das críticas
O secretário-geral do PCP dirigiu também fortes críticas ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, na sequência da polémica relacionada com os exames nacionais, marcada por atrasos, alterações nos processos de correção e divulgação de resultados.
Paulo Raimundo classificou a situação como uma “trapalhada” e um “caos completo”, acusando o ministro de arrogância e de se desresponsabilizar pelos problemas verificados.
Para o líder comunista, a forma como o processo foi conduzido fragilizou a relação do Ministério com professores, diretores escolares, estudantes e famílias.
Raimundo considerou ainda que a responsabilidade não recai apenas sobre o ministro, mas também sobre o primeiro-ministro, por ter assumido publicamente a defesa da atuação do titular da pasta da Educação.
Caso Luís Neves exige esclarecimentos
Relativamente à polémica que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves, Paulo Raimundo defendeu que todos os factos devem ser totalmente esclarecidos.
O líder do PCP sublinhou que o próprio ministro será o principal interessado em dissipar quaisquer dúvidas sobre as notícias que têm surgido nas últimas semanas.
Apesar das críticas, Raimundo afirmou que o PCP não tem como prática política exigir demissões individuais, defendendo que os problemas do país resultam sobretudo das opções políticas do Governo e não apenas da atuação de determinados ministros.
Moção de censura continua em aberto
Questionado sobre a possibilidade de o PCP apresentar uma moção de censura ao Governo, Paulo Raimundo não afastou esse cenário.
O dirigente comunista afirmou que esse instrumento parlamentar continua disponível e poderá ser utilizado caso o partido considere existir o momento político adequado para avançar.
Ainda assim, salientou que uma eventual censura institucional deverá ser acompanhada por uma crescente contestação social e política às medidas do executivo.
PCP acusa Governo de querer avançar com reformas polémicas
Na intervenção realizada em Braga, Paulo Raimundo acusou ainda o Governo de procurar acelerar medidas que o PCP contesta, nomeadamente alterações na Segurança Social, reformas laborais e processos de privatização.
Segundo o líder comunista, o executivo procura concretizar essas medidas antes que o desgaste político e a contestação social se agravem.
As declarações surgem numa altura em que vários membros do Governo enfrentam polémicas e críticas da oposição, aumentando a pressão política sobre o executivo liderado por Luís Montenegro.



































