Ministro da Administração Interna assume ter autorizado a transferência do atrelado para uma empresa de Barcelos e rejeita qualquer ligação ao tráfico de droga.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu esta quarta-feira que a decisão de transportar para uma empresa de Barcelos o atrelado apreendido pela Polícia Judiciária (PJ), no âmbito de um processo relacionado com tráfico de droga, foi tomada por si enquanto diretor nacional da PJ, classificando-a como “um puro ato de boa gestão”.
Em conferência de imprensa realizada no Ministério da Administração Interna, em Lisboa, o governante assegurou que a decisão foi motivada exclusivamente por razões logísticas e financeiras, rejeitando qualquer benefício indevido ou comprometimento da investigação.
“Não havia outra opção”
Luís Neves explicou que a Polícia Judiciária não dispunha de condições para armazenar o atrelado e os bidões que continham substâncias utilizadas na produção de droga.
Segundo o ministro, a destruição dos produtos químicos implicava um custo de cerca de 150 mil euros, verba que a PJ não possuía na altura.
“Não havia outra opção.”
O governante frisou que a solução encontrada permitiu proteger os interesses do Estado sem comprometer o processo de investigação.
“Não foi desviado qualquer bem”
O ministro fez questão de afastar qualquer suspeita de irregularidade.
“Não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, não foi beneficiado quem quer que fosse e não há aqui qualquer ligação ao tráfico de droga.”
Luís Neves explicou que a decisão surgiu na sequência de uma proposta apresentada pelo então diretor financeiro da Polícia Judiciária.
Empresa ofereceu-se para guardar o material
De acordo com o ministro, o diretor financeiro foi informado de que o atrelado teria de abandonar as instalações da Autoridade Marítima.
Durante uma fiscalização de uma obra, esse responsável comentou a situação com o proprietário da empresa Construbarcelos, que se disponibilizou para guardar gratuitamente o material apreendido.
Perante essa solução, Luís Neves deu autorização para a transferência.
“O Estado deixou de pagar uma renda.”
O ministro garantiu ainda que não existiu qualquer contrapartida financeira.
“Não houve qualquer pagamento pelo transporte, pelo acondicionamento, pela guarda do material em questão.”
Ministro critica acusações
No final da conferência de imprensa, Luís Neves lamentou as suspeitas levantadas em torno deste caso, considerando que as críticas ultrapassaram os limites aceitáveis.
“As insinuações ultrapassaram todos os limites da decência.”
O ministro sustentou que estão a ser feitas acusações de extrema gravidade sem fundamento e reiterou que todas as decisões tomadas tiveram como único objetivo salvaguardar o interesse público e assegurar a correta gestão dos recursos do Estado.




































