Investigadores da UMinho criam marcas rodoviárias inteligentes que mudam de cor para alertar para gelo e neve

Orlando Lima

Tecnologia inovadora utiliza materiais termocrómicos para avisar os condutores da formação de gelo, neve e “black ice”, reforçando a segurança rodoviária em condições meteorológicas adversas.

Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho (UMinho) desenvolveu uma tecnologia inovadora de marcas rodoviárias inteligentes capazes de mudar de cor quando a temperatura se aproxima dos 0 ºC, permitindo alertar os condutores para a possível formação de gelo, neve e “black ice” (gelo invisível), um dos fenómenos mais perigosos para a circulação automóvel.

A investigação, publicada na revista científica internacional Progress in Organic Coatings, representa um avanço significativo na área da engenharia rodoviária e poderá contribuir para reduzir o risco de acidentes em zonas sujeitas a condições climatéricas extremas.

Tecnologia transforma marcas rodoviárias em sensores visuais

O projeto recorre à incorporação de materiais termocrómicos em tinta acrílica branca utilizada na sinalização horizontal das estradas. Estes materiais possuem a capacidade de alterar a sua cor automaticamente quando a temperatura ambiente se aproxima do ponto de congelação.

Ao mudarem de cor, as marcas rodoviárias passam a funcionar como sensores visuais, alertando os automobilistas para a existência de condições favoráveis à formação de gelo no pavimento.

Além deste aviso antecipado, a alteração cromática aumenta também o contraste das marcas sobre superfícies cobertas de neve, melhorando significativamente a sua visibilidade e ajudando os condutores a manterem uma condução mais segura.

Investigação envolveu testes laboratoriais e protótipos

Para validar a eficácia da solução, os investigadores funcionalizaram tinta acrílica utilizada na sinalização horizontal com materiais termocrómicos e submeteram-na a diversos ensaios laboratoriais.

Foram avaliadas as propriedades físicas, químicas e óticas das tintas em diferentes temperaturas, recorrendo a técnicas laboratoriais avançadas e à construção de protótipos de pavimento que permitiram simular condições próximas das encontradas em ambiente real.

Os resultados demonstraram que a tecnologia tem potencial para funcionar como um sistema de alerta em tempo real, permitindo aos condutores identificar rapidamente situações de maior risco na estrada.

Investigação liderada por equipa multidisciplinar

O primeiro autor do estudo é Orlando Lima, doutorando em Sustentabilidade do Ambiente Construído e investigador do Centro de Física e do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural da Universidade do Minho.

O trabalho foi orientado pelos investigadores Joaquim Carneiro, Elisabete Freitas e Iran Rocha Segundo, contando ainda com a colaboração de Laura Mazzoni, Nathalia Hammes, Helena Prado Felgueiras e Maria Manuela Silva.

Segundo Orlando Lima, que também é co-coordenador do Laboratório de Inovação em Materiais Inteligentes, Sustentáveis e Emergentes do Centro de Física da Escola de Ciências da UMinho, esta investigação demonstra o potencial da aplicação do termocromismo à engenharia rodoviária, uma área ainda pouco explorada a nível internacional.

Solução poderá reforçar a segurança nas estradas

A formação de neve, gelo e, sobretudo, de “black ice” constitui um dos maiores perigos para a circulação rodoviária, uma vez que reduz drasticamente a aderência dos pneus ao pavimento e aumenta o risco de derrapagens e acidentes.

Com esta inovação, a Universidade do Minho pretende disponibilizar uma solução inteligente capaz de fornecer informação imediata aos condutores, aumentando a perceção do risco e contribuindo para uma mobilidade mais segura em regiões sujeitas a baixas temperaturas.

A tecnologia abre ainda novas perspetivas para o desenvolvimento de infraestruturas rodoviárias inteligentes, onde os próprios elementos da estrada podem comunicar visualmente com os utilizadores e adaptar-se às condições ambientais em tempo real.

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