Casa dos Crivos reabre em Braga com 800 mil euros de investimento e regressa aos Encontros da Imagem

Edifício histórico da Rua de São Marcos foi transformado numa galeria municipal inclusiva e multidisciplinar. João Rodrigues aponta a intervenção como referência para a reabilitação do centro histórico

A Casa dos Crivos voltou a abrir portas aos bracarenses, depois de uma intervenção de reabilitação e remodelação que representou um investimento municipal de cerca de 800 mil euros. O emblemático edifício da Rua de São Marcos assume agora uma nova função como galeria municipal, com condições reforçadas de acessibilidade e uma programação artística multidisciplinar.

A reabertura ficou marcada pelo regresso dos Encontros da Imagem à Casa dos Crivos, reforçando a ligação histórica do edifício à fotografia e à cultura em Braga.

Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, considerou a intervenção um exemplo do que deve ser a reabilitação do património no centro histórico da cidade.

“Não pode ser um edifício morto no centro da cidade”

O autarca defendeu que a Casa dos Crivos deve assumir um papel ativo na vida cultural da cidade, rejeitando a ideia de um equipamento limitado a uma única área artística.

“Não é uma galeria só de pintura ou de fotografia, é uma galeria de arte no seu sentido mais amplo. Não pode ser um objeto estático ou um edifício morto no centro da cidade, tem de ser vivido por todos”, afirmou.

João Rodrigues sublinhou ainda que a reabertura acontece num momento particularmente relevante para a estratégia de revitalização do centro histórico.

“Não fazia sentido que um edifício destes, com a implantação e a forma como se cruza no dia a dia dos bracarenses, continuasse de portas fechadas”, afirmou o presidente da Câmara.

A intervenção inclui um elevador, permitindo o acesso aos pisos superiores por pessoas com mobilidade reduzida e reforçando a dimensão inclusiva do equipamento cultural.

Um exemplo para a reabilitação do centro histórico

João Rodrigues aproveitou a reabertura para desafiar também os proprietários privados a acompanhar o nível de exigência definido pelo município na recuperação dos edifícios do centro histórico.

“Estamos a contribuir para a reabilitação urbana, que tem aqui neste edifício um bom barómetro, quer para aquilo que achamos que deve ser o grau de exigência dentro do centro histórico, quer nas obras de reabilitação urbana”, afirmou.

O autarca destacou ainda o crescimento da população residente no centro histórico, que, segundo indicou, aumentou cerca de 30% na última década.

A obra chegou a estar em risco devido a problemas relacionados com o empreiteiro, mas o Município estabeleceu um prazo limite para a conclusão dos trabalhos, permitindo avançar para a reabertura do espaço.

Casa dos Crivos volta a receber os Encontros da Imagem

A reabertura coincide com o regresso dos Encontros da Imagem, evento que mantém uma ligação histórica à Casa dos Crivos.

A vereadora da Cultura, Catarina Miranda, destacou precisamente essa relação com a fotografia, recordando que o edifício acolheu durante vários anos os Encontros da Imagem e que, na década de 70, funcionou ali a AFCA – Associação de Fotografia e Cinema Amador de Braga.

“Estamos a voltar a casa em termos de Encontros da Imagem”, afirmou.

A responsável municipal recordou também que o projeto inicial de intervenção do edifício, realizado na década de 1980, contemplava uma vertente relacionada com a história da imagem fotográfica da cidade, ideia que acabaria por evoluir para a criação do Museu da Imagem.

Três pisos dedicados à fotografia

Nesta reabertura, os três pisos da Casa dos Crivos apresentam trabalhos integrados no projeto “Memórias da Cidade”, que reúne fotógrafos convidados a interpretar Braga através das suas obras.

Manuel Santos, responsável pelos Encontros da Imagem, apresentou os artistas e os trabalhos que estão agora patentes no espaço.

No rés-do-chão podem ser vistos trabalhos de Xosé Luís Vázquez, associados a um prémio de fotografia da Galiza. Nos pisos superiores estão expostas obras de Tânia Dinis e Emanuel Constantino.

A inauguração contou ainda com intervenções de Xosé Luís Vázquez, presidente da Associação Outono Fotográfico, do curador Vítor Nieves e dos artistas envolvidos na exposição.

Um edifício com séculos de história

A Casa dos Crivos, também conhecida como Casa das Gelosias, remonta ao século XVI e distingue-se pelas suas fachadas e pela particularidade das janelas de gelosias, elementos associados à arquitetura e à vivência das famílias bracarenses da época.

Depois da intervenção agora concluída, o edifício histórico ganha uma nova vida no centro de Braga, conciliando património, acessibilidade e programação cultural.

A intenção do Município é que a Casa dos Crivos seja, a partir de agora, uma galeria municipal viva, aberta às diferentes formas de expressão artística e integrada na estratégia de valorização do centro histórico.

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