São cerca de cinco mil moradores e 85 lojas que compõem a urbanização da Torre Europa, em Braga, que desde o final do ano passado está a ser transformada numa “zona 30”, para privilegiar peões em detrimento dos carros. As obras ainda não estão terminadas, mas há meses que a população se une numa onda de críticas à execução da empreitada.
A falta de estacionamento e de lugares para cargas e descargas, a dificuldade de acesso às garagens, as ruas estreitas, as deficiências nos canais de esgotos e escoamento de águas e o policiamento excessivo são, apenas, alguns dos motivos da revolta que já chegou ao Executivo de Braga, através da própria Associação de Moradores e dos vereadores da Oposição que, ainda anteontem, em reunião de Câmara, criticaram o “desfasamento” entre o projeto e “as necessidades da população”.
Pedro Esteves, funcionário de um café na Rua Padre António Vieira, já foi multado uma vez enquanto descarregava mercadoria. Beatriz Ferreira, dona da mercearia ao lado, conta três coimas pelo mesmo motivo. “Ainda não marcaram os lugares de cargas e descargas e somos multados por estacionar em segunda fila”, explica a comerciante, sublinhando que o Município não deve retirar lugares de estacionamento a ligeiros, mas reduzir a área de passeios para esses lugares específicos.
Moradores com deficiências também estão desesperados pela sinalização para poderem parquear as viaturas. É o caso de Helena Martins, que critica o facto de apenas terem pintado no chão “um lugar”. Além de “insuficiente”, diz, falta a placa.
Já os comerciantes garantem que a falta de lugares para carros e as multas diárias aos condutores infratores vão acabar com alguns negócios. “Tenho uma quebra na ordem dos 60%”, atira António Oliveira, dono de uma pizaria e membro da Associação de Moradores. “Vieram estragar tudo. É preciso dar dez voltas para arranjar estacionamento”, elucida Carmélia Gabarres, dona de uma loja de roupa e moradora na urbanização.
Além de menos clientes, a comerciante garante que as obras estragaram caixas de esgotos e de águas pluviais. “Tenho muito artigo ensopado na garagem. Quero ver quem vai pagar”, exclama. “A minha garagem está cheia de mijo”, afirma, indignada, Helena Martins.
No terreno é ainda fácil observar rampas elevadas que sofreram remendos de betão, passeios novos já danificados, postes batidos por pesados que têm dificuldade em circular pelas ruas estreitas e o caos no trânsito sempre que passa um camião do lixo.
FISCALIZAÇÃO
O vereador do Urbanismo, Miguel Bandeira, vai receber António Oliveira. Mas anteontem, na reunião do Executivo, em resposta à Oposição, o autarca garantiu que a empreitada tem sido fiscalizada. “Não é um processo fácil, mas a obra não está concluída”, justificou.
João Rodrigues, com responsabilidade pelo espaço público, garantiu que a Praça do Bocage, outro alvo de críticas, vai ter um parque infantil, mais iluminação e espaços verdes. O vereador prometeu, também, “adiantar as marcações” dos lugares para cargas e descargas e condutores com mobilidade reduzida.
In “JN”