A chegada de um ano novo traz consigo a atualização de vários preços. Da alimentação ao gás e aos transportes, saiba o que vai mudar e o que fica ainda com preços de 2022.

O que vai aumentar?

Pão

O preço do pão deverá voltar a subir em 2023, em função do aumento dos custos das matérias-primas e da energia, mas também impactado pela atualização do salário mínimo nacional.

“Muito dependerá da variação dos preços das matérias-primas e energias, mas será muito provável que aumente, até pelo impacto do aumento do salário mínimo”, perspetivou a direção da Associação do Comércio e da Indústria da Panificação (ACIP), em resposta à Lusa.

De acordo com a associação, apenas uma parte dos aumentos tem sido refletida no preço pago pelo consumidor, o restante tem sido suportado pelos produtores que, por sua vez, registam uma quebra nas margens de lucro.

Metro de Lisboa e Carris

O Metro de Lisboa informou que a 1 de janeiro de 2023 “entram em vigor novas tarifas, aplicáveis aos títulos ocasionais”.

Assim, os bilhetes ocasionais do metro de Lisboa e da Carris vão aumentar 10%, para 1,65 euros por viagem (1,50€ em 2022), mantendo-se inalterados os preços dos passes mensais.

No caso dos carregamentos “zapping” em cartões Viva Viagem e Navegante (através de montantes entre os três euros e os 40 euros) cada viagem custará 1,47 euros, mais 12 cêntimos do que este ano (com o custo de 1,35 euros).

Na sua página na Internet, o Metro salienta que em 2023 os bilhetes diários (válidos para as viagens realizadas em 24 horas após a primeira validação) para a Carris/Metro custarão 6,60 euros (6,45 euros em 2022), na Carris/Metro/Transtejo 9,70 euros (9,60 euros este ano) e na Carris/Metro/CP mantém o preço de 10,70 euros.

Metro do Porto

Por sua vez, o Metro do Porto também vai atualizar os preços no início do ano.

Em 2023, segundo informação já adiantada pela entidade gestora do Andante, o preço de um passe Z2 (para uma ou duas zonas) vai passar para 1,30 euros (1.25€ em 2022). Todas as zonas sofrem aumentos, sendo o maior de 0,25€.

Contudo, os aumentos mais significativos, ao contrário de Lisboa, estão nos passes de 24 horas: por exemplo, tanto o bilhete Z2 como o Z3 vão custar mais 50 cêntimos (4,70€ e 6,05€, respetivamente), mas o Z9 vai ter um aumento de 1,35€ (15,25€).

Ligações fluviais

O preço dos bilhetes nas ligações fluviais entre a Margem Sul do Tejo e Lisboa vão aumentar no próximo ano entre cinco e 15 cêntimos, de acordo com o tarifário a aplicar a partir de janeiro

Segundo uma nota publicada na página da Internet da empresa que assegura aquele transporte fluvial, a Transtejo/Soflusa, os bilhetes simples inteiros na ligação Montijo-Cais do Sodré vão passar de 2,85 euros para três euros e nas ligações Barreiro-Terreiro do Paço e Seixal-Cais do Sodré o preço sobe de 2,50 euros para 2,65 euros.

A ligação de Cacilhas para o Cais do Sodré passa a custar 1,40 euros (1,30 euros este ano) e o percurso Trafaria-Porto Brandão-Belém 1,30 euros (1,25 este ano).

Quanto ao transporte de veículos, efetuado na ligação Trafaria-Porto Brandão-Belém, a classe A (veículos de duas rodas até 50 cm3) passa a pagar 1,45 euros (1,40 este ano); a classe B (veículos de duas ou três rodas com mais de 50 cm3 ou veículos de quatro rodas até 50 cm3) passa a custar 1,80 euros (1,70 euros); a classe C (veículos com comprimento até 4,5 metros) aumenta 15 cêntimos, de 2,85 euros para três euros, enquanto a classe D, relativa a veículos com comprimento superior a 4,5 metros, passa a custar 5,25 euros, quando este ano custou cinco euros.

Portagens

As portagens vão aumentar 4,9% a partir de janeiro. “Era para nós claro que um aumento de 9,5% e 10,5% era insuportável, mas também há contratos e responsabilidades (…) e tentámos encontrar uma solução equilibrada que permitisse um aumento menor”, disse o ministro Pedro Nuno Santos.

Anteriormente, tinha sido referido que os preços das portagens nas autoestradas poderiam aumentar 10,46% em 2023. Contudo, António Costa tinha já garantiu que as portagens não iriam aumentar 10% no próximo ano, percentagem que decorre da fórmula que consta dos contratos de concessão com o Estado e que tem por base a inflação, que este ano atingiu valores inesperados.

De recordar que as atualizações ao preço das portagens para o ano seguinte são propostas ao Governo pelas empresas concessionárias das autoestradas, com base na referida fórmula.

Gás natural

A fatura do gás natural vai aumentar, a partir de janeiro, cerca de 3% para os clientes mais representativos do mercado regulado, depois de um desvio nas previsões dos preços de aquisição, adiantou a ERSE.

Assim, a fatura média mensal, a partir de janeiro 2023, para um casal sem filhos (1.º escalão de consumo, consumo 1.610 kWh/ano) aumenta 0,33 euros e para um casal com dois filhos (2.º escalão de consumo, consumo 3.407 kWh/ano) sobe 0,70 euros.

“A aplicação da nova tarifa de energia produz efeitos a partir de 01 de janeiro de 2023 e abrange os consumidores no mercado regulado (cerca de 3% do consumo total e de 324 mil clientes, em outubro de 2022)”, destacou.

Eletricidade

O preço da eletricidade em mercado regulado aumenta 1,6% em janeiro de 2023, em relação a janeiro, sendo que a subida ascenderá a 3,3% face à média deste ano, valores superiores aos propostos em outubro.

Por outro lado, a “variação anual apresentada é relativa ao preço médio do ano 2022, que integra as atualizações em alta da tarifa de energia em abril e outubro de 2022, bem como a fixação excecional de tarifas em julho de 2022”, sendo que, “fruto destas alterações, numa perspetiva mensal, em janeiro de 2023 os clientes de BTN em mercado regulado registarão um aumento médio de 1,6% em relação aos preços em vigor em dezembro de 2022”.

No mesmo comunicado, a ERSE explicou que “este acréscimo tarifário, superior ao anunciado em outubro, deve-se a um menor sobreganho com a produção em regime especial (PRE), a devolver aos consumidores, do que o inicialmente previsto”.

O que fica igual?

Carris Metropolitana

“O preço de venda ao público dos títulos ocasionais dos serviços operados sob a marca Carris Metropolitana não terá qualquer aumento no próximo ano, tal como os passes do tarifário Navegante, que manterão as tarifas atualmente em vigor”, informou a Área Metropolitana de Lisboa.

A AML referiu ainda que “a decisão de manter os valores de 2022 dos títulos ocasionais da Carris Metropolitana integra-se, entre outros objetivos, na promoção da utilização dos transportes públicos coletivos preconizada para toda a região”.

Passes dos transportes públicos e bilhetes na CP

O Governo determinou o congelamento dos preços dos passes dos transportes públicos e dos bilhetes na CP em 2023, anunciou o primeiro-ministro, António Costa, em setembro.

Esta medida integra um pacote de apoios às famílias que o Conselho de Ministros extraordinário aprovou visando a mitigação do impacto do aumento do custo de vida no rendimento, e cujo valor ascende a 2,4 mil milhões de euros.

Com esta medida, o Governo assegura também “a devida compensação a esta empresa e às autoridades de transportes”, disse o primeiro-ministro.

Leite

O preço do leite e dos seus derivados não deverá ter uma grande alteração no início de 2023, mas o resto do ano continua a ser uma incógnita face à evolução dos custos de produção e ao contexto externo, adiantaram os produtores à Lusa.

“Em janeiro, pressuponho que não vai acontecer nenhuma alteração de grande monta. Durante o ano, é impossível estar a fazer algum tipo de conjeturas porque depende de fatores a que nenhum analista nos consegue dar respostas”, afirmou o secretário-geral da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac), Fernando Cardoso.

No entanto, espera que se verifique “alguma acalmia”, uma vez que os rendimentos dos consumidores estão já a ser pressionados.

Fernando Cardoso referiu que uma nova subida do preço do leite estará sempre dependente de fatores como o custo da energia e a evolução da guerra da Ucrânia.