Um estudo da CGTP revela que quase 64% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebia uma remuneração base de até 1.000 euros brutos por mês em 2024, destacando uma realidade preocupante para a força de trabalho feminina no país. Deste total, 19% ganhava apenas o salário mínimo nacional, que era de 820 euros no ano passado.
A pesquisa, que faz parte das iniciativas para a Semana da Igualdade, que decorre de 5 a 12 de março, com o lema “Igualdade no trabalho. Liberdade na vida – Tempo de luta. Futuro de paz”, também aponta que, em novembro de 2024, havia 1.996.162 mulheres empregadas em Portugal. Destas, 377 mil recebiam o salário mínimo, o que mostra a vulnerabilidade econômica de uma parte significativa das trabalhadoras.
Além disso, a análise revela que o rendimento médio salarial líquido das mulheres era de 1.069 euros, o que é 18,2% inferior ao dos homens, cuja média era de 1.311 euros. Esta disparidade salarial é ainda mais acentuada em posições de maior qualificação, onde a diferença chega a 26% entre quadros superiores, resultando em um diferencial superior a 700 euros.
A CGTP alerta que os salários baixos forçam muitas mulheres a ter múltiplos empregos para enfrentar o aumento do custo de vida. No último trimestre de 2024, aproximadamente 125 mil mulheres estavam envolvidas em uma segunda atividade profissional, representando 5% da força de trabalho feminina.
A precariedade no emprego também afeta mais as mulheres do que os homens, com 16,2% das mulheres em empregos precários, em comparação com 15,5% dos homens. Essa taxa é particularmente alta entre trabalhadoras mais jovens, chegando a 52,5% entre as menores de 25 anos.
No final de 2024, as mulheres representavam cerca de 51% da população desempregada, com um acesso limitado à proteção social: apenas 44% tinham acesso a prestações de desemprego. Esta situação contribui para uma elevada taxa de pobreza entre as mulheres desempregadas, que é de 43%, aumentando para 64% sem transferências sociais.
Esses dados evidenciam a necessidade urgente de políticas que promovam a igualdade salarial e a proteção social, além de medidas para melhorar as condições de trabalho das mulheres em Portugal.


































