Iniciativa educativa envolveu alunos do pré-escolar e 1.º ciclo numa experiência prática sobre o ciclo da lã, o bem-estar animal e os saberes tradicionais
O concelho de Vieira do Minho recebeu, entre os dias 21 e 26 de maio, a iniciativa educativa e cultural “Dar Cor à Lã”, uma experiência imersiva que envolveu 595 crianças da Educação Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Agrupamento de Escolas Vieira de Araújo.
Ao longo de vários dias, os alunos embarcaram numa verdadeira viagem pela tradição, criatividade, natureza e sustentabilidade, descobrindo de forma prática e sensorial todas as etapas do ciclo da lã, desde a origem animal até à transformação em fio e cor.
A cerimónia de abertura decorreu no dia 21 de maio, na Área de Lazer do Parque dos Moinhos, e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, Filipe de Oliveira, bem como dos vereadores Carlos Mota e Sofia Rocha, num momento simbólico de valorização da educação, da cultura e das tradições locais.
Já no dia 26 de maio, a atividade foi descentralizada para os estabelecimentos de ensino de Rossas, Cávado e Guilhofrei, levando a experiência diretamente às escolas básicas do concelho.
Crianças conheceram todo o processo da lã
Durante a iniciativa, os participantes tiveram contacto próximo com animais de raças autóctones da região, com destaque para a Bordaleira de Entre Douro e Minho, raça reconhecida pela qualidade das suas fibras, utilizadas na produção de peças resistentes, confortáveis e duradouras.
As crianças aprenderam que a lã é uma fibra natural de origem animal, obtida a partir do pelo das ovelhas e carneiros, acompanhando depois todas as fases do seu processamento.
O percurso educativo começou pela tosquia através do método Bowen, técnica criada na década de 1940 e conhecida pela abordagem fluída e coreografada, permitindo reduzir o stress dos animais e o esforço físico do tosquiador, garantindo simultaneamente o bem-estar animal.
Após a tosquia, a lã passou pela desbordagem, fase de seleção e limpeza das partes mais sujas da fibra. Seguiram-se os processos de lavagem, secagem e amaciamento, nos quais as crianças participaram ativamente, preparando o material para a cardação.
A cardação permitiu uniformizar cor e textura, criando uma mecha contínua pronta para a etapa seguinte: a fiação manual.
Tingimento natural despertou curiosidade dos mais pequenos
Um dos momentos mais marcantes da atividade foi o tingimento da lã com pigmentos naturais obtidos através da cozedura de cascas de cebola, demonstrando a ligação entre os saberes tradicionais, a utilização de recursos naturais e as práticas sustentáveis.
Ao longo da experiência, os participantes viveram ainda momentos de grande proximidade com os animais, especialmente com a presença de um borrego, que rapidamente conquistou a atenção e o carinho das crianças.
A interação espontânea com o animal proporcionou um ambiente de ternura, aprendizagem e sensibilização para o respeito pelo bem-estar animal.
Projeto promove inclusão, tradição e ligação à comunidade
A iniciativa foi promovida pela CPCJ de Vieira do Minho, com o apoio do Município, e contou ainda com a participação do CLDS 5G “Vieira a Crescer”.
O projeto envolveu igualmente várias entidades parceiras, entre elas a AMIBA – Associação dos Criadores de Bovinos de Raça Barrosã, a Casa da Lã, o Município de Cabeceiras de Basto e o Agrupamento de Escolas Vieira de Araújo.
Mais do que uma atividade educativa, “Dar Cor à Lã” afirmou-se como uma experiência de valorização dos saberes tradicionais, da sustentabilidade ambiental e da ligação entre gerações, aproximando as crianças das raízes culturais e do património rural da região.
































