Mudança de paradigma nos interiores dos carros a lançar em 2027 força reestruturação em Famalicão. Administração já tinha avisado funcionários durante o regime de lay-off em maio.
A Coindu, empresa especializada na produção de componentes para o interior de automóveis, arrancou com um processo de despedimento coletivo que vai afetar 48 trabalhadores em Vila Nova de Famalicão. A decisão, comunicada oficialmente pela administração da empresa, visa exclusivamente o setor do couro e surge como resposta direta às novas tendências de consumo e fabrico das marcas automóveis mundiais.
O grupo famalicense, que emprega atualmente 743 colaboradores, justifica a medida com uma mudança drástica no mercado. Os novos modelos de veículos com lançamento previsto para 2027 revelam uma redução drástica ou mesmo a eliminação do couro nas suas configurações interiores, sendo substituído por novos materiais alternativos. Como os processos industriais do couro são muito específicos, a fábrica viu-se forçada a reorganizar o seu modelo produtivo, sem hipótese de reconversão destas funções.
O aviso que chegou com o lay-off de maio
Esta reestruturação não apanhou as equipas totalmente de surpresa. Os 48 funcionários agora abrangidos já se encontravam em regime de lay-off desde maio, uma medida de salvaguarda temporária que vigora até novembro e que chegou a englobar 493 trabalhadores da empresa.
Aquando da aplicação do lay-off, a administração da Coindu tinha deixado um aviso claro: com a conclusão dos projetos que estavam em carteira, a fábrica não tinha perspetivas de novas encomendas a curto ou médio prazo que garantissem trabalho para todos os operários do couro. O risco de eliminação definitiva destes postos de trabalho estava, por isso, formalmente sinalizado.
Próximo ano estabiliza nos 700 colaboradores
Para o próximo ano, as projeções de volume de negócios da Coindu apontam para a necessidade de fixar a força de trabalho numa média de 700 colaboradores permanentes. A administração assegura que tentou manter o maior número possível de postos de trabalho ao longo dos últimos meses e que o objetivo atual passa por reter os quadros que detêm o conhecimento técnico e o know-how essencial para as restantes áreas de atividade da empresa.
Esta não é a primeira vez que a quebra de encomendas abala a estrutura da fábrica de Famalicão. No ano passado, a instabilidade do mercado global já tinha obrigado o grupo a avançar com dois outros processos de despedimento coletivo.
Tempestade perfeita na indústria automóvel europeia
A administração da Coindu enquadra esta decisão num cenário macroeconómico altamente desafiante para todo o setor automóvel à escala europeia. Entre os principais fatores de asfixia da indústria, a empresa aponta a imposição de novas tarifas alfandegárias pelos Estados Unidos, a instabilidade geopolítica no Médio Oriente e a constante volatilidade dos preços dos combustíveis.
A juntar a estes fatores de pressão, a indústria europeia enfrenta a forte concorrência de novas marcas oriundas do continente asiático. Ao apresentarem custos de produção substancialmente mais baixos, estes novos construtores têm conseguido conquistar fatias de mercado muito relevantes, forçando os fornecedores europeus, como a Coindu, a reajustamentos drásticos para garantir a sobrevivência do negócio.
































