Após uma polémica greve de fome do organizador Carlos Silva, o mítico festival automóvel deixa o Minho devido a queixas de ruído e caos no trânsito, renascendo em agosto no circuito transmontano.
O mediático braço de ferro entre a organização do antigo Braga Car Show e a autarquia bracarense conheceu finalmente o seu desfecho. Carlos Silva, o promotor do evento de tuning que chegou a mover uma greve de fome em protesto contra a negação das licenças municipais, anunciou que o festival foi deslocalizado para o Circuito Internacional de Montalegre, onde se realizará entre os dias 7 e 9 de agosto.
Através de um vídeo partilhado nas redes sociais, o organizador lamentou o fim de um ciclo de 22 anos na cidade dos Arcebispos, mas mostrou-se entusiasmado com o novo poiso em Trás-os-Montes, que passará a chamar-se Montalegre International Car Show. Segundo Carlos Silva, o traçado transmontano oferece “condições maravilhosas” e a grande vantagem de permitir “fazer barulho”, dado que a infraestrutura se situa a dois quilómetros da vila.
Uma greve de fome travada pelos problemas de saúde
A mudança para Montalegre surge na sequência de um clima de enorme tensão. Em maio deste ano, Carlos Silva instalou-se à porta da Câmara Municipal de Braga numa greve de fome extrema para tentar demover o executivo. Contudo, o protesto foi interrompido ao quarto dia devido a complicações de saúde associadas aos diabetes do organizador, que agora classifica a iniciativa como “uma estupidez porque ninguém nos ouviu”.
Apesar do desaire político em Braga, o promotor sublinhou que a onda de mensagens de apoio por parte dos aficionados da cultura automóvel o motivou a “lutar noutro sítio” para não deixar morrer o evento na região norte.
Os motivos da autarquia: Caos, queixas e risco de incêndio
A fundamentação para a recusa de licenciamento por parte da Câmara Municipal de Braga assentou num extenso historial de queixas e incumprimentos. De acordo com um documento oficial a que O MINHO teve acesso, as edições de 2023 e 2024 geraram forte descontentamento na Junta de Freguesia de Palmeira e nos moradores locais.
Entre os principais argumentos invocados pela autarquia para travar o evento destacam-se:
- Bloqueio de vias: A enorme afluência de público deixou várias estradas intransitáveis, impedindo os residentes de sair de casa para trabalhar.
- Salubridade e ruído: Registaram-se elevados níveis de poluição sonora e acumulação de lixo na via pública.
- Falta de segurança: Foram detetadas atividades ilegais fora e dentro do recinto, com uma lotação muito superior à capacidade instalada.
- Logística de proteção civil: O ruído e a azáfama do evento colocavam em risco a operacionalidade do Centro de Meios Aéreos (CMA) no âmbito do combate aos incêndios rurais (DECIR).
O município relembrou ainda que, na edição de 2025, o evento já tinha sido deslocalizado para Baltar, no concelho de Paredes, onde se verificaram exatamente os mesmos problemas e protestos da população local. Posto isto, Braga concluiu que o festival representava “um maior prejuízo do que benefício” para a comunidade, abrindo caminho para a sua estreia em solo transmontano no próximo mês de agosto.































