Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, em Braga, admite estagnação na reciclagem e apela a uma mudança urgente de hábitos para reduzir drasticamente os resíduos enviados para aterro até 2035.
Portugal continua longe de cumprir as metas europeias na gestão de resíduos e terá de acelerar significativamente o ritmo de mudança nos próximos anos. O alerta foi deixado esta sexta-feira, em Braga, pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, durante uma ação da campanha nacional “Vamos Lixar o Lixo”.
Recolha seletiva está estagnada há sete anos
Em declarações aos jornalistas, José Pimenta Machado afirmou que os indicadores nacionais revelam uma evolução insuficiente na separação de resíduos.
Segundo o responsável, a recolha seletiva mantém-se estagnada há cerca de sete anos, situando-se nos 20%, um valor que considera insuficiente para atingir os objetivos definidos para a próxima década.
“As más notícias são que nos últimos sete anos os nossos números estagnaram na recolha seletiva, não passam dos 20%. Queremos aumentar muito, especialmente nos biorresíduos”, afirmou.
Mais de 50% dos resíduos continuam a ir para aterro
O presidente da APA mostrou especial preocupação com o elevado volume de resíduos que continua a ser encaminhado para aterro.
Atualmente, mais de metade do lixo produzido em Portugal tem este destino, uma realidade que considera insustentável, até porque a criação de novos aterros é cada vez mais difícil.
“Em Portugal já não se consegue fazer novos aterros. A aposta tem de ser feita na origem, através da prevenção e da recolha seletiva”, defendeu.
Meta é reduzir para apenas 10% até 2035
José Pimenta Machado recordou que Portugal tem objetivos muito exigentes para os próximos anos.
Até 2035, o país deverá atingir uma taxa de 65% de recolha seletiva e reduzir para apenas 10% a quantidade de resíduos enviados para aterro.
“Temos de andar, temos de correr. Enviamos mais de 50% dos resíduos para aterro e temos de reduzir esse valor para 10% até 2035. Estamos todos convocados para este desafio”, sublinhou.
Verão é a época em que mais lixo se produz
A campanha “Vamos Lixar o Lixo”, que está a percorrer o país, procura sensibilizar a população para a importância da correta separação dos resíduos, sobretudo durante o verão.
O secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, destacou que entre junho e setembro é produzido cerca de 40% do total anual de resíduos em Portugal.
Segundo os dados apresentados pela APA, cada português produz, em média, 519 quilos de resíduos por ano, o equivalente a cerca de 1,4 quilos por dia. Destes, aproximadamente 40% correspondem a biorresíduos, um segmento considerado fundamental para aumentar as taxas de valorização e produção de biogás.
Prevenir continua a ser a melhor solução
José Pimenta Machado defendeu que a prioridade deve passar por reduzir a produção de resíduos antes mesmo da reciclagem.
“O melhor resíduo é aquele que não é produzido”, afirmou, apelando a escolhas de consumo mais conscientes e à valorização dos materiais que atualmente acabam enterrados em aterro.
Segundo explicou, uma correta separação permite transformar resíduos orgânicos em recursos com valor económico e ambiental, como o chamado gás verde.
Campanha percorre o país até ao final do ano
A iniciativa “Vamos Lixar o Lixo” continuará em várias localidades portuguesas até ao final de 2026.
O roadshow inclui espaços interativos com atividades para crianças e jovens, jogos educativos, oficinas de reutilização de materiais reciclados, um simulador de consumo sustentável e um “Mural das Desculpas”, onde são apresentadas algumas das justificações mais frequentes utilizadas pelos cidadãos para não separarem corretamente os resíduos.
A campanha pretende reforçar a sensibilização ambiental e incentivar uma mudança de comportamentos que permita a Portugal aproximar-se das metas europeias de economia circular e gestão sustentável dos resíduos.

































