Procura aumentou 6,6% na primeira semana de julho devido às altas temperaturas e autoridades alertam que os efeitos das ondas de calor poderão prolongar-se durante vários dias
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) registou um aumento significativo da procura durante a primeira semana de julho, impulsionado pelos efeitos das elevadas temperaturas na saúde da população. Entre os dias 1 e 7 de julho, os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) receberam, em média, 5.216 chamadas por dia, um aumento de 6,6% face ao mesmo período de 2025.
No total, foram contabilizadas 36.512 chamadas durante os primeiros sete dias do mês, o que representa mais 349 contactos diários em comparação com igual período do ano passado.
Dia 6 de julho foi o mais exigente
O pico de atividade registou-se no passado dia 6 de julho, quando os quatro Centros de Orientação de Doentes Urgentes receberam 5.834 chamadas, o valor diário mais elevado deste período.
Segundo o INEM, o aumento da procura está diretamente relacionado com os efeitos das ondas de calor, que continuam a provocar um elevado número de situações de emergência em todo o país.
Desidratação e golpes de calor entre os casos mais frequentes
Entre as ocorrências mais comuns encontram-se casos de desidratação, exaustão pelo calor e golpes de calor, além do agravamento de doenças crónicas, sobretudo patologias respiratórias e cardiovasculares.
O instituto explica, no entanto, que não é possível determinar com exatidão quantas chamadas estão diretamente relacionadas com o calor, uma vez que os sintomas são enquadrados em diferentes protocolos de triagem clínica e não constituem uma categoria autónoma de registo.
Impacto do calor pode prolongar-se por vários dias
O INEM alerta que os efeitos das ondas de calor não terminam com a descida das temperaturas.
Nas pessoas mais vulneráveis — como idosos, crianças e doentes crónicos — as consequências podem prolongar-se durante cerca de 10 dias após o fim dos episódios de calor extremo.
Por esse motivo, o instituto mantém uma monitorização permanente da atividade operacional e continua a reforçar os meios disponíveis para responder ao aumento da procura.
Capacidade reforçada em todo o país
Para fazer face ao acréscimo de pedidos de socorro, o INEM tem vindo a reforçar progressivamente os seus recursos, sobretudo nas regiões que registam um aumento sazonal da população, como o Algarve.
O instituto garante que os postos de atendimento dos quatro Centros de Orientação de Doentes Urgentes — Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve — se encontram totalmente preenchidos, assegurando a capacidade de resposta às chamadas de emergência.
DGS aponta para impacto inferior ao previsto
Entretanto, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, revelou que as duas últimas ondas de calor terão provocado 123 óbitos em excesso, um número inferior às previsões inicialmente apontadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
Apesar disso, as autoridades de saúde apelam à população para que mantenha os cuidados de prevenção, nomeadamente uma hidratação adequada, a permanência em locais frescos durante as horas de maior calor e uma atenção especial aos grupos mais vulneráveis.



































