Federação Nacional dos Professores apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República para investigar alegadas irregularidades na classificação digital das provas do ensino secundário
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) entregou esta sexta-feira uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Lisboa, solicitando a abertura de uma investigação ao processo de classificação eletrónica dos exames nacionais do ensino secundário, marcado por sucessivos problemas técnicos e operacionais.
A estrutura sindical pretende que sejam apuradas eventuais ilegalidades relacionadas com a correção das provas, num ano em que, pela primeira vez, os exames nacionais foram classificados através de um sistema integralmente digital.
Alegadas falhas na digitalização motivam participação
Segundo Francisco Gonçalves, um dos secretários-gerais da Fenprof, a principal preocupação prende-se com os relatos de provas cujas respostas chegaram incompletas aos professores classificadores devido a falhas na digitalização.
De acordo com o dirigente sindical, existem situações em que os docentes receberam instruções para proceder à classificação de respostas sem terem acesso à totalidade do conteúdo produzido pelos alunos.
“Perante a incapacidade de fazer chegar aos classificadores o conteúdo completo da prova, deram ordens para que os classificadores as classificassem com aquilo que lhes estava disponibilizado”, afirmou Francisco Gonçalves.
Na perspetiva da Fenprof, estas orientações poderão configurar uma situação suscetível de investigação judicial.
Sindicato rejeita responsabilização dos professores
A federação sublinha que os docentes não podem ser responsabilizados por falhas que considera alheias ao seu trabalho, defendendo que importa esclarecer se a plataforma informática funcionou corretamente e se todas as instruções transmitidas aos classificadores respeitaram os procedimentos legalmente exigidos.
A organização sindical considera igualmente essencial apurar se a gestão do processo garantiu a fiabilidade e a integridade da avaliação dos exames.
Processo digital marcado por sucessivos constrangimentos
A edição deste ano dos exames nacionais ficou marcada pela implementação, pela primeira vez, da classificação eletrónica das provas do ensino secundário.
Ao longo de várias semanas foram registados diversos problemas, incluindo atrasos na disponibilização das provas aos classificadores, falhas na plataforma informática, dificuldades na digitalização das respostas e sucessivos adiamentos dos prazos inicialmente definidos pelo Ministério da Educação.
Governo garante correções para a segunda fase
Durante o debate de urgência realizado esta sexta-feira, na Assembleia da República, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu que ocorreram falhas no processo de classificação.
O governante assegurou, contudo, que os problemas entretanto identificados foram corrigidos e garantiu que o mesmo modelo digital continuará a ser utilizado na segunda fase dos exames nacionais, afirmando que estarão reunidas as condições para evitar a repetição dos constrangimentos verificados na primeira fase.


































