Mensagens partilhadas em grupos de Facebook e WhatsApp apelam a uma nova tentativa de entrada em Ceuta. Autoridades acompanham a situação perante o receio de mais uma crise humanitária.
A possibilidade de uma nova vaga de migração irregular para Ceuta, enclave espanhol no Norte de África, está a preocupar as autoridades espanholas e marroquinas. Nas redes sociais circulam, desde os últimos dias, mensagens que apontam o próximo 15 de agosto como a data para uma tentativa de travessia em massa da fronteira, sobretudo através do mar.
Segundo o jornal espanhol El País, milhares de jovens marroquinos têm recebido mensagens em grupos de Facebook e WhatsApp, onde são incentivados a tentar chegar a Ceuta a nado, alimentando receios de uma nova crise migratória semelhante às registadas nos últimos anos.
Redes sociais alimentam mobilização
Uma das mensagens mais difundidas resume o apelo:
“Vemo-nos lá no dia 15 de agosto.”
Nos grupos dedicados ao tema, alguns utilizadores debatem a viabilidade da travessia e as hipóteses de sucesso, enquanto outros alertam para os riscos e tentam desencorajar novas tentativas.
Entre as mensagens partilhadas encontra-se um apelo dirigido aos potenciais migrantes:
“A vossa vida vale assim tão pouco? Deixem os habitantes de Ceuta em paz. Já chega. Os jovens que partiram e os que estão desaparecidos deixaram os seus pais devastados.”
Apesar destes alertas, continuam a surgir novos grupos dedicados à migração para Ceuta e Melilha, onde a data de 15 de agosto é repetidamente mencionada.
Centenas de vítimas em tentativas anteriores
As travessias irregulares para Ceuta têm provocado inúmeras vítimas mortais.
De acordo com a imprensa espanhola, pelo menos 141 pessoas morreram em tentativas de alcançar o enclave espanhol, incluindo cerca de 60 mortes registadas do lado marroquino da fronteira.
Por sua vez, o Governo espanhol refere um balanço de 77 vítimas mortais durante a travessia marítima, das quais duas já em território espanhol.
Estes números refletem o elevado risco associado às tentativas de cruzar a fronteira a nado ou através de embarcações precárias.
Debate político sobre menores migrantes
A pressão migratória voltou também a gerar tensão política em Espanha.
O Governo regional da Extremadura manifestou oposição ao plano de redistribuição de menores migrantes não acompanhados provenientes de Ceuta. Segundo as autoridades regionais, o entendimento passa pela repatriação dos menores sempre que possível e pela não abertura ou ampliação de novos centros de acolhimento para migrantes em situação irregular.
Mais de 72 mil entradas irregulares
Segundo os dados divulgados pelas autoridades espanholas, mais de 72 mil pessoas entraram irregularmente em Ceuta ao longo das diferentes vagas migratórias registadas nos últimos anos.
A maioria acabou, entretanto, por regressar a Marrocos, de forma voluntária ou através de processos de repatriamento.
Enquanto cresce a circulação de mensagens nas redes sociais, as autoridades mantêm a situação sob vigilância para avaliar se os apelos para uma nova travessia em massa se traduzirão, ou não, num movimento efetivo no próximo dia 15 de agosto.


































