Oferta de moradias caiu 12,2% num ano e preços sobem 7,1%, muito acima da valorização dos apartamentos
A construção nova em Portugal está cada vez mais concentrada em apartamentos, enquanto as moradias representam uma parcela reduzida da oferta. Dados do Imovirtual revelam que apenas 7,3% dos imóveis de construção nova disponíveis para venda são moradias, confirmando uma tendência de menor presença deste tipo de habitação nos novos empreendimentos.
A redução da oferta é ainda mais evidente quando comparada com o mesmo período do ano passado. Entre maio e julho de 2026, a quantidade de moradias disponíveis caiu 12,2%, enquanto os preços continuaram a subir de forma significativa.
Construção nova privilegia apartamentos
A diferença entre a construção nova e o mercado de revenda é particularmente expressiva.
Enquanto as moradias representam apenas 7,3% da oferta de construção nova, no mercado de imóveis usados esse peso sobe para 47,1%. Ou seja, quase metade das casas disponíveis em revenda são moradias, contrastando fortemente com os novos empreendimentos, onde predominam os apartamentos.
Para Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, esta evolução demonstra que a construção nova está “claramente mais orientada para apartamentos”, fazendo com que as moradias assumam “um peso cada vez mais reduzido” neste segmento.
A menor disponibilidade contribui, segundo a responsável, para tornar as moradias um produto “cada vez mais escasso e valorizado” no mercado residencial português.
Moradias valorizam mais do que apartamentos
A escassez começa também a refletir-se nos preços.
Entre maio e julho deste ano, o preço médio das moradias aumentou 7,1%, enquanto os apartamentos registaram uma valorização de apenas 1,2%.
Atualmente, uma moradia apresenta, em média, um preço cerca de 7% superior ao de um apartamento, uma diferença que poderá estar relacionada com a menor oferta disponível e com as características deste tipo de habitação.
Oferta concentra-se em casas de grandes dimensões
Outro dos dados destacados pelo Imovirtual está relacionado com a dimensão das moradias disponíveis no mercado.
As habitações de maior dimensão dominam claramente a oferta: 41% das moradias são T5 ou superiores, enquanto os T4 representam outros 37%.
Nos apartamentos, a distribuição é mais diversificada. Os T3 representam 38% da oferta, seguidos pelos T4, com 33%, e pelos T2, com 14%.
Esta diferença reflete também a maior concentração das moradias em segmentos familiares e de maior dimensão.
Quase 80% das casas de luxo são moradias
A tendência é ainda mais evidente no mercado de luxo.
No segmento não-luxo, as moradias representam 43,8% da oferta. Já no segmento premium, a percentagem sobe para 79,2%.
Isto significa que praticamente oito em cada dez imóveis disponíveis no segmento de maior valor são moradias, reforçando a associação deste tipo de habitação ao mercado premium.
Ao mesmo tempo, a redução da oferta de novas moradias contribui para aumentar a sua exclusividade e valorização.
Menos construção nova e maior escassez
Os dados revelam, assim, uma transformação no mercado residencial português. As moradias continuam a ter uma presença importante, sobretudo no mercado de revenda e nos segmentos de maior valor, mas estão cada vez menos representadas na construção nova.
A conjugação de menor oferta, redução da construção nova e aumento dos preços está a tornar as moradias um produto cada vez mais escasso no mercado português.
Enquanto os novos projetos residenciais continuam maioritariamente direcionados para apartamentos, as moradias permanecem sobretudo no mercado de revenda e assumem uma posição dominante no segmento de luxo.


































